sábado, 25 de janeiro de 2014

O último dia de 2013 - desejo de Arte

Dia 31 de dezembro de 2013. É estranho passar o último dia do ano longe de casa. No Rio de Janeiro e no Brasil todo, o clima é de muita euforia. Desde cedo escutamos o barulho dos morteiros. Em Paris, é apenas mais um dia. Ou foi essa a minha sensação. Segui a rotina, acordei, tomei café e fui procurar o que fazer. Opção A: uma exposição no Musée d'Orsay. Cheguei e vi uma multidão, fila kilométrica. Disse não.
Enquanto pensava no que ia fazer fiquei dando voltas próximo ao Museu. E vamos combinar, é um lugar charmoso.

 
Eu posso voltar à Paris 200 vezes e vou sempre repetir essa foto. O Museu d'Orsay é um dos meus preferidos. E depois de pensar, lembrei da Orangerie, onde estava em cartaz a exposição com obras de Frida Khalo.
E lá fui eu, caminhando feliz para o meu Plano B. Notei que estava tudo tão vazio ... e o motivo??? Fechado. Ansiava por um contato com a Arte. Mas o que me restou foi a Grande Roue de Paris
A famosa roda gigante. As filas são enormes, mas naquele horário não havia ninguém. Só pagar e subir. E lá fui eu...


Tranquilidade total, nada de tonturas...(ainda vivia sob o fantasma da labirintite). Sempre tive vontade de andar nessa roda gigante, mas detesto ficar horas numa fila. Enfim, chegou minha vez. Vale a pena. Observar Paris desse jeito é muito legal.
 Depois do passeio, uma volta rápida pelo Jardin des Tuileries.
Só uma árvore com folhas. Gostei desse contraste. Mas nem a Roda Gigante, nem algumas obras de arte que vi pelo Jardin des Tuileries, aplacaram meu desejo... precisava mergulhar na Arte. E aí fiquei pensando, pensando  e executei o Plano C ou D ou teria sido o E...
Musée du Luxembourg
Estava na minha lista, mas ia deixar para o dia 1º de janeiro. Foi o meu almoço do dia 31: "La Renaissance et le rêve" (A Renascença e o sonho). Exposição maravilhosa com quadros de Bosch, Véronèse, El Greco e tantos mais...
Se existe uma coisa que os franceses fazem muito bem é a montagem de uma exposição. Chega a ser didático. Tudo bem dividido, organizado. Esta exposição, por exemplo, estava dividida da seguinte maneira: La nuit (A noite); La Vacance de l'ame (A fuga da alma); Visions de l'au-delà (Visões do além); Rêves Énigmatiques et visions cauchemardesques (Sonhos enigmáticos e visões de pesadelo); La vie est un rêve (A vida é um sonho) e L'Aurore et le réveil (A aurora e o despertar). Um verdadeiro encanto. Toda a exposição podia ser fotografada, com exceção de alguns quadros. Eu sempre questiono essa nossa vontade de registrar tudo. Muitas vezes, na ânsia de ter a melhor foto, nos perdemos na contemplação de uma obra. Eu tento um meio caminho, mas fico no meio do caminho ... ou seja, estou amadurecendo a ideia de apenas contemplar...


 Le Rêve de Philippe II - El Greco 
O destaque dessa exposição era esse fenomenal El Greco. Pulsante, vivo, cores fortes e cheio de significados. "O sonho de Philippe II" era um dos quadros proibidos de ser fotografado. Por sorte eu fiz várias fotos. Fui abordado por um dos recepcionistas que pediu que apagasse a foto na hora. Eu prontamente apaguei. Mal sabia ele que eu havia feito várias fotos do quadro (coisas desses smartphones).



Saí da sala embriagado, saciado do desejo pela Arte. Foi um fechamento de ano com chave de ouro. E isso para mim é muito importante. 
 Difícil visitar uma exposição desse nível e sair de mãos vazias. 
Estava com a alma alimentada, mas o corpo pedia comida de verdade. Já era tarde e os restaurantes fechados. Os poucos abertos estavam preparando o jantar do Ano Novo. Consegui comer num bistrô perto da Rue Mouffetard. Esse foi o meu destino para o último fim de tarde do ano. 

Fui imediatamente para o Café Delmas - situado na Place de la Contrescarpe - e,  como de costume, pedi um Kyr. Fiquei ali sentado assistindo a vida passar e fazendo uma leve retrospectiva do ano de 2013.

E dali desejei um Feliz ano Novo para todos vocês! As emoções daquela noite maravilhosa vocês já conferiram, mas quem não viu pode acompanhar clicando aqui!

12 comentários:

  1. Quanta diferença do Rio no dia 31/12!
    Qurem sabe nao me aventuro no próximo Reveillon a experimentar?

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    1. Kátia
      São culturas diferentes e interesses diferentes. Aqui o final do ano é um rito de passagem, de busca por novas energias.
      Bjks

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  2. Fiquei com inveja do seu 31. Já fiz isso lá nos idos 2007. Não tenho a mínima relação com essa alegria forçada da noite de réveillon por aqui. Fico esgotada. O seu dia foi tão produtivo!!!!

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    1. Tania
      E nem postei tudo o que fiz naquele dia...rs Até porque nem fotografei minha ida à loja "Le comptoir de famille" que gosto muito e se pudesse comprava tudo...rs Paris nos oferece muita coisa.
      Beijos

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  3. Jorge, dia perfeito!!!! Tb sou da turma que prefere tranquilidade a festas nesse dia já gostei e curti...já passei um réveillon em Paris, e foi perfeito...bj

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    1. Monica
      Acho que o fato de estarmos fora de casa tira essa "obrigação".
      Bjs

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  4. Nos desencontramos mais uma vez, Jorge!
    Adoro estar em Paris nesta época do ano.
    Abração,
    Mirella Cozzi

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    1. MIrella
      Seria maravilhoso nos reencontrarmos em Paris!
      Beijos

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  5. Espetacular!
    Dia mais que perfeito, em lugares que adoro.
    E essa roda gigante é o máximo! Eu viro criança outra vez e até repito a volta. Bom demais! E sempre vou mais cedo, nunca tem fila.
    Quanto ao revéillon, nunca tive compromisso com ele, esteja eu onde estiver. Se calhar de ter festa e me agradar, comemoro; se tiver que passar em casa com meu marido, beleza; se tiver alta antes das 24, vou dormir. Simples assim! O meu único compromisso é com o meu momento e se tem uma coisa que nunca tive vontade foi de passar uma virada de ano em Paris, por causa do frio.

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    1. Sueli
      para minha surpresa na noite do Réveillon não estava frio, mas isso era o que menos imprtava porque no Caveau de la Huchette o clima estava quentíssimo...
      O bom de passar fora eé que vc desliga um pouco da euforia da festa em si.
      Um dia que gostei muito.
      Beijos

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  6. Já andei nessa roda, faz muitos anos, e morri de medo!
    A única hora que abri os olhos eu vi a Sacre Coeur...e me lembro ter achado lindo!
    Quero repetir. Agora sem medo e de olhos bem abertos! Adorei o post!!

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    1. Adriana
      Meu único medo foi ficar tonto e a labirintite voltar, mas deu tudo certo.
      Beijos

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