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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Surpresas na volta para Veneza

 
O passeio por Verona foi intenso e maravilhoso, como vocês viram nos posts. Porém, nada, absolutamente nada foi mais emocionante do que a minha volta para Veneza. Neste post não teremos muitas fotos, até porque as baterias descarregaram e não havia como registrar mais nada. Mas os momentos vividos estarão para sempre registrados na minha mente.
Antes de viajar havia comprado todos os bilhetes de trem para fazer os passeios. Comprar om antecedência garante sempre bons descontos. A minha ida para Verona foi de trem rápido - o frecciarossa. E a volta estava programada para um trem regional. Sabia que iria levar um pouco mais de tempo para chegar em Veneza, mas não iria chegar tão tarde. Saí do centro histórico de Verona e cheguei com 40 minutos de antecedência na estação Porta Nuova. Enquanto aguardava o trem fui atualizado o meu diário. O movimento estava bem fraco, poucos passageiros. A todo instante um aviso de um trem que havia sido suspenso, mas não dei muita importância. Até que chegou o anúncio do meu trem. Eu nem acreditei, como assim "suspenso", como iria voltar??? Imediatamente saí da plataforma e fui buscar informações. Bem vindo à Itália! Aí entendi o porquê de não comprar bilhetes para trens regionais. Surpresas acontecem, ora atrasam, ora ficam parados e, naquele belo domingo era a greve dos maquinistas! que belo dia para uma greve.  solução era comprar passagem para um trem rápido da Euro Rail - bilhetes mais caros. Não havia bilheteria aberta, mas poderia comprar a passagem nas máquinas. Reembolso? Pela internet, onde havia comprado. Por um instante pensei: "E se não estivesse com cartão de crédito ou dinheiro suficiente?". Comprar o bilhete nem foi complicado, as máquinas aceitam cartões e dinheiro e dão troco, até os centavos. A "ótima" notícia era que o trem direto para Veneza (Santa Lucia) iria demorar 4 horas, mas eu poderia pegar um até Mestre que iria sair em 20 minutos e de lá, iria para Veneza. e lá fui eu. Comprei o bilhete e peguei o trem. Curioso é que até Mestre onde eu desci não passou nenhum fiscal. cheguei a pensar: "ah se tivesse entrado na cara de pau...", mas logo desviei esse pensamento, viajar sem bilhete dá muito mais dor de cabeça, paga-se multa etc. E era bobagem fazer isso e arranjar confusão.
Em Mestre quando cheguei estava um caos. Muita gente sem saber o que fazer com a greve dos trens e muitos taxistas oferecendo seus serviços. Teve um que ficou me perseguindo: Venezia, Venezia. Disse meia dúzia de palavras impublicáveis em bom português e o sujeito me deixou em paz. Ele queria cobrar uma fortuna para me levar até Veneza. Não é privilégio dos brasileiros, tem gente esperta em todo mundo querendo ganhar uma grana. Consegui informação no bar da estação sobre o ônibus para Veneza e que o ticket poderia ser comprado no próprio ônibus. que dia! Quando me dirigia para o ponto ouvi uma voz quase suplicando: "Please..."  Era uma sul-coreana, perdida da silva. queria saber como iria para Veneza. Com a greve só conseguiu chegar até Mestre, ela estava em Pádua. Eu disse que também havia passado pelo mesmo problema, mas que havia um ônibus direto para Veneza e que poderíamos comprar o ticket com o motorista.  Por fim, o ônibus chegou e quase trinta minutos depois descíamos no terminal de ônibus Piazzale Roma. Pedi informações com uma senhora  italiana que disse que poderia ir a pé dali até a Estação Santa Lucia, menos de 10 minutos. Ao me ver conversando com a senhora, a sul-coreana achou o máximo e me elogiou dizendo "você fala italiano muito bem". Eu ri, claro, mas meu "italiano passione" foi muito útil. E logo chegava à Estação Santa Lucia, a poucos metros do meu hotel. A sul-coreana ficou mega agradecida, me deu um abraço forte e disse: "Thank You very much. You were my hero!" E aí eu entendi a minha missão naquele dia... e isso não tem preço.
 
Ah sim, antes de chegar ao hotel passei numa pizzaria e comprei essa maravilhosa pizza da foto e a devorei inteirinha.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Verona - além das expectativas!

Dizem que o melhor momento da viagem é a preparação, concordo com isso. Até porque só penso na viagem o tempo todo. Depois de fechar a programação, comprar passagens, reservar os hotéis, começa a etapa de compra de bilhetes de trem - fase mais complicada -, pois tudo deve ser antecipado. E se no dia que decidi visitar tal lugar a cidade base está bombando? Confesso que ao escolher o dia 22 de abril para visitar Verona, estando baseado em Veneza, cheguei a gelar...rs Um domingo em Veneza poderia ser mais interessante que um domingo em Verona. Enfim, era um risco, mas não poderia ter feito escolha melhor.
Após as visitas da manhã, segui para o Teatro Romano, que data apenas do séc I a.C! Ao atravessar a Ponte de Pedra já avistamos um lugar mágico.
O tempo naquele domingo estava muito instável. Acho que vivi as 4 estações num único dia: frio pela manhã, depois um pouco  calor, uma brisa fresca, chuva e sol de novo.
 
Entrar no Teatro Romano é cair dentro do túnel do tempo. Essa arquibancada  em semicírculo está muito bem conservada. Ainda hoje é montado um palco em frente e espetáculos são realizados no local.
 
O Teatro Romano de Verona é também um Museu Arqueológico. O acervo é composto de peças gregas e romanas  como estátuas, esculturas, lápides, mosaicos quase completos, entre outros itens.

E do alto do Teatro Romano uma bela vista da Ponte de Pedra sobre o rio Ádige. Uma das mais belas vistas de Verona.

E aí depois de subir a Torre dei Lamberti, andar pelas ruínas, subir e descer escadas  a fome chegou. E para minha sorte estava acontecendo uma feira de produtores na Piazza Brà, onde está localizada a Arena de Verona. 
A feira foi um achado, boa comida e preços justos, aliás justíssimos!
Experimentei: Risotto à isolana....
 
E uma das melhores pizzas do mundo!

E havia muita coisa boa para provar
 
E caminhar pela feira, provar uma coisa aqui e ali foi mais do que prazeroso. Sem contar o movimento de gente de cidades vizinhas - uma atração à parte.

Espontaneamente as pessoas dançavam ao som da música típica
Saí da Praça satisfeito e fui visitar a minha última atração do dia:
O magnífico Castelvecchio
Esse belo Castelo foi construído na metade do século XIV por Casagrande II, da família Della Scala. Atualmente abriga Museu de Artefatos. Pelo horário´já nao dava mais para visitar com clama, por isso preferi apenas caminhar pelo jardim e pela Ponte Scaligero.


Eu estava cansado, afinal foi um dia intenso, mas muito satisfeito!
 
Terminei minha visita ali no Castelvecchio, contemplando o Rio Adige e desejando retornar á Verona. Um dia foi muito pouco. É necessário ao menos duas noites para aproveitar a tranquilidade da cidade, conhecer as áreas verdes., tomar um Spritz na Piazza Brá ou  na Piazza delle Erbe. Enfim, curtir a cidade comme il faut!

sábado, 15 de dezembro de 2012

Verona - che bella!

Após uma longa pausa, estou de volta com as postagens e antes do tempo prometido! Espero não precisar me ausentar mais, sinto saudades de estar aqui postando e dividindo com vocês um pouco das minhas paixões. E prosseguimos com este segundo post sobre Verona - uma das cidades que visitei nesse tour realizado entre abril e maio deste ano.  Depois de visitar o túmulo e a casa de Julieta, segui na direção da Piazza delle Erbe. A Praça, que é belíssima, é onde fica concentrada uma boa parte dos bares e restaurantes de Verona. Porém, o que mais me chamou atenção mesmo foi uma grande torre. Nessa viagem subi muitas torres. É cansativo, confesso, mas sempre temos uma bela recompensa. E não foi diferente na Torre dei Lamberti.

Quem deseja apreciar as mais belas vistas de Verona DEVE fazer um pequeno esforço e subir à Torre dei Lamberti. O visual é incrível! E tem uma vantagem:   dá para usar o elevador até certa altura e depois, muitos degraus de escada.

 Um caracol de degraus...

E por fim, você chega no topo e começa a ficar de boca aberta e não fecha mais...rs

 A Arena de Verona


 Do alto a Piazza delle Erbe fica mais bonita.

 Certamente, um passeio inesquecível!

Devo ter ficado uns quarenta minutos no alto da Torre, contemplando tudo de diferentes ângulos  fotografando, filmando e muitas vezes deixando a mente descansar, sem pensar em nada. Por alguns instantes ficava sozinho, pois muitos turistas chegam, fotografam e descem. Sinceramente, não consigo entender, não ficam nem 5 minutos e depois de tantos degraus...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Verona de Shakespeare

Como prometido, estou de volta com as minhas postagens sobre a viagem de 2012 (Itália/França). Relembre o último post sobre a viagem aqui.
 
Vinte e dois de abril de 2012 - o Brasil festejando 512 anos de vida - e eu viajando pelo velho continente. Acordei às 06h00 da manhã com o domingo nublado, um pouco de frio. Meu destino: Verona no trem que sairia às 06h58 da Estação Santa Lucia em Veneza. Havia dormido tarde no dia anterior e estava um pouco cansado - visita às ilhas de Murano e Burano  e ainda fui ao Teatro assistir à Ópera La Traviatta.
A foto acima é do meu trem com destino à Veneza - completamente vazio - ninguém viaja nesse horário. Confesso que poderia ir mais tarde, porém, entre pagar 35 euros e 9 Euros, valeu o sacrifício de ter ido mais cedo...
 
 
A viagem dura 01h05 e, pontualmente, às 08h03 o trem chegou à Verona. Da estação de trem parti em direção ao centro da cidade. Era uma sensação estranha estar em Verona depois de alguns dias em Veneza. Ruas largas, movimento de ônibus e carros...
 
 
E, de repente, um desses encontros de novela... o casal(Dani e Rodrigo) da foto acima eu havia conhecido no Aeroporto Charles de  Gaulle em Paris. Eles só viajaram para a Itália e já estavam fazendo o caminho de retorno para o Brasil, saindo de Verona em direção à Roma. Foi uma ótima coincidência, pois me passaram boas dicas da cidade, além de um mapa.
 
 
Continuei o meu caminho até chegar ao Corso Puorta Nuova e dali uma grande avenida para o centro antigo ou histórico de Verona. foi uma boa caminhada, uns 30 minutos, mas nem senti. Ainda parei para tomar um café.
 
Batizei imediatamente essa Avenida de "Champs Elysées de Verona", tem lojas, restaurantes, bares etc. E no final da avenida "moderna" o encontro com o antigo...
 
 
E avistava o Portoni della Bra. Passar sob os arcos é, realmente, fazer uma viagem ao passado. Começava a viagem dentro  da minha  viagem. A primeira sensação ao chegar foi a de que um dia não seria suficiente, poderia ter reservado duas noites para Verona. Havia algo no ar...
 
 
Como estava ainda muito cedo, nenhum museu estava aberto. Valia observar a cidade, os prédios antigos como o da Prefeitura de Verona, que aparece em destaque na foto. Ao lado, à esquerda, uma parte da Arena - o "Coliseu" de Verona.  Tudo de perder o fôlego!
 
Museo Lapidario Maffeiano - um edifício imponente com a maior coleção de lápides antigas. é o museu lapidário mais antigo da Europa, foi inaugurado em  1738.
Com tantos atrativos na cidade o ideal é fazer uma seleção do que é imperdível, porém em Verona, tudo é imperdível. E com um dia de visita a escolha torna-se difícil, o que escolher, por onde começar? Lendo a minha revista "Viaje Mais - Itália", a sugestão era iniciar pelo Castelvecchio, mas fui parar para ler a revista justamente em frente à uma placa com indicações para visitar o Museo degli Affreschi (Museu dos Afrescos), onde justamente está a "túmulo de Julieta".  Não pensei duas vezes e iniciei minha visita.
 
 
 
É certo que Romeu e Julieta são personagens da peça de Shakespeare e nunca existiram, mas a  cidade de Verona - cenário da trama - soube aproveitar muito bem, turisticamente, essa história que criou ambientes que levam o visitante a confundir ficção com realidade.
 
 Entrada do Museo degli Affreschi
 
Poço dos desejos???
 
O Museo degli Affreschi é uma pequena jóia, com um acervo espetacular! Um conjunto de afrescos da idade Média e do Renascimento, além de pinturas dos séculos XVI e XVII e esculturas do século XIX. Confesso que essa visita foi a minha perdição - e vocês entenderão o porquê nos próximos posts.
 
 
 
 
Séculos de história e de arte.
 
 
"La Trinità" - Antonio Balestra
Detalhe do quadro "La Trinità"
 
 E depois da História a ficção
É interessante sair do museu e ir visitar o túmulo de Julieta. Trechos da peça de Shakespeare estão gravados na parede. À medida que me aproximava do local a sensação era de estar num teatro, assistindo a peça.
 
trecho da peça de Shakespeare.
 
 
O famoso "túmulo" de Julieta. Casais apaixonados deixam seus nomes gravados - isso não é paixão é vandalismo mesmo.

E já que estava num clima Shakespeare total, completei o ciclo indo até a casa de Julieta. O número de turistas é assustador, e eu quase desisti, mas dei uma volta no quarteirão e quando retornei a multidão já havia desaparecido.
 
 
A casa de Julieta e o famoso balcão. Não visitei a casa, pois soube que no interior não há nada de especial. O grande barato é mesmo ver o balão e a estátua de bronze de Julieta.
 
 

Observem que o seio direito da estátua está bem mais claro. O porquê? Todo visitante que tocar o seio direito de Julieta terá sorte na procura por um amor. Será mesmo?

 Pelo sim, pelo não ... eu caprichei...

 
E aqui um exemplo claro do vandalismo turístico. A parede da entrada principal com todo tipo de pixação e - que nojo - chicletes e pirulitos colados.
 
Grade cheia de cadeados deixados pelos casais apaixonados que querem "eternizar" o amor ...reparem na coluna à direita repleta de nomes e corações desenhados. Realmente, não gosto muito disso, mas ...
E assim terminei a minha manhã com Romeu e Julieta... 

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