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domingo, 14 de junho de 2015

Um sábado em Saint-Paul de Vence

Não é fácil escolher o que fazer quando as opções são muitas e tentadoras. Minha idéia inicial, no planejamento da viagem, era ficar ao menos 5 noites em Nice, mas só pude ficar 3. Assim, optei por fazer dois passeios fora de Nice e aproveitar a cidade no retorno, já que no verão o sol se põe quase às 21 horas. E no sábado, 6 de setembro de 2014 fui passear em Saint-Paul de Vence, a uma hora de ônibus de Nice. Sim, de ônibus! Eu não dirijo e quando descobri o ônibus, dei pulos de felicidade!
Saí cedo do Hotel e  parei no Le Grand Café de Lyon - apesar de estarmos em Nice - para um chocolate e croissants. Nada mais que isso.


O ponto do ônibus fica em frente ao Jardin Albert 1er, próximo ao McDonald's da Promedade des Anglais. É um ônibus comum e a passagem custa apenas 1,50 euros. O trajeto de Nice até Saint-Paul é maravilhoso, com o mar azul do Mediterrâneo e, depois, as montanhas e o verde. 

Quase uma hora depois, cheguei na cidade que parecia dormir, com suas ruas vazias e o comércio ainda fechado.
Bastam segundos para o visitante ficar apaixonado. Cidade medieval,  murada e com séculos de história.
Não é à toa que personalidades como Jacques Prévert, Marc Chagall, Yves Montan e Simone Signoret - só para citar alguns - escolheram a cidade para morar durante algum período de suas vidas. Sem contar inúmeros pintores, que levaram seus cavaletes, telas e pincéis para as montanhas e aproveitar a bela luz da região.
E a arte está em toda parte nessa cidade, que parece uma galeria a céu aberto. Num rápido passeio vamos encontrando diversas esculturas.

O dia de sol convidava muito para o passeio, por isso, optei apenas por caminhar sem destino. Não quis entrar em museus e deixei de lado a famosa Fundação Maeght. 
E assim fui curtindo o visual da cidade.

A cada passo, novas descobertas pelas ruas estreitas e calçadas de pedra.
A cidade tem apenas 7,26 km² e cerca de 3500 habitantes... a tranquilidade é total.


Aos poucos começam a aparecer alguns turistas, mas naquele sábado não eram muitos. Acredito que uma boa parte chegue perto do horário do almoço, para desfrutar dos bons restaurantes do local e depois passeiam pela cidade. 


 
Do alto avistamos o cemitério, que de longe parecia um vilarejo dentro do vilarejo. E eu só  fui visitar para ver o túmulo de Marc Chagall, que repousa eternamente com vista para o belo vale. Custei a encontrar porque fiquei procurando um jazigo grande todo ornamentado, mas a última morada do pintor é muito simples. 
Sobre o túmulo algumas pedras colocadas por visitantes  - tradição judaica - e moedas também, que deve fazer parte da tradição - isso desconheço. Homenagem feita. Prossegui.

Subi as escadas e quase bati na porta para pedir um copo d'água, um refresco e quem sabe, bater um papo com os moradores.

E depois de tanto bater perna, o corpo pedia descanso e o estômago já reclamava... escolhi a Hostellerie les Remparts. 
O restaurante tem mesas na varanda, com vista para o vale e à sombra de um bela árvore. Estava lotado e, por sorte, consegui uma ótima mesa.

Assiete des Remparts - esse é um prato típico provençal, pimentões grelhados, cebolas recheadas. Estava muito bom.

E um bom vinho rosé... 

Depois do almoço mais uma volta pelo centro e uma parada para comprar azeites, vinagres,  lavandas, toalha de mesa, guardanapos...e dá vontade de comprar tudo.

Estão vendo essas prateleiras repletas de vidrinhos??? São as maravilhosas geléias da "La chambre aux confitures". 
A loja de Saint-Paul de Vence é muito grande e a vontade é de levar tudo. As geléias são deliciosas e podemos provar várias antes de decidir. Claro que fiquei "na dúvida"... e provei muito antes de optar pela de figo com nozes e conhaque. E nada melhor do que terminar o passeio assim, doce
"La chambre aux confitures" tem lojas em Paris, clique aqui 

E na hora de ir embora, tava rolando uma apresentação de um grupo de jovens da região. Uma mistura de música, teatro e dança. Divertido.


Foi um dia muito bom, para dizer o mínimo. Uma cidade encantadora!

De volta à Nice ainda deu tempo de curtir a praia do final da tarde...
E o verão europeu bombando!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Um giro pela Provence


Entre todas as coisas que me agradam na França, uma delas é o fato de que não importa onde for, o visitante vai encontrar o Office de Tourisme (Informações Turísticas). E foi no Office de Tourisme de  Avignon que encontrei um passeio para conhecer o Parc Naturel Régional du Luberon, que faz parte da região Provence-Alpes-Côte d'Azur. Esses passeios quebram o maior galho, sobretudo se você não dirige, como eu e vive na dependência de ônibus e trens. Porém, para certos lugares só mesmo o carro. Tudo foi acertado lá mesmo no Office de Tourisme, inclusive o pagamento. A empresa Provence Panorama opera diversos roteiros pela região, e a partir de dois passageiros já é possível contratar uma excursão com um Guia-chofer. 
E assim, na manhã ensolarada do dia 04 de setembro de 2014, parti em direção ao Luberon, um grande parque natural que possui 185.000 hectares e é composto por 77 vilarejos. O nosso tour começa em Gordes com suas casas de pedras, conhecidas como "bories". 

O vilarejo encanta desde o primeiro momento com sua paisagem deslumbrante.

Abadia Nossa Senhora de Sénanque (Notre-Dame de Sénanque) é um dos exemplos mais puros da arquitetura cisterciense primitiva e sua construção data de 1148. Aqui residem monges que vivem em comunidade e fabricam produtos à base de lavanda. Não visitamos a Abadia porque não estava no Roteiro, apenas olhamos assim de longe e descemos para ver a entrada. Há visitas guiadas em francês, mas também pode-se visitar individualmente. Para as visitas pede-se estar vestido corretamente (nada de shorts, decotes etc...)

Entrada da Abadia com seus campos de lavanda e trigo.
Continuamos nosso passeio pelo Vilarejo de Gordes com suas ruas estreitas e arquitetura original.
Fizemos uma parada de 30 minutos para dar um giro pelo centro do vilarejo. Claro que a vontade é de ficar muito mais tempo, principalmente quando começamos a caminhar e a descobrir a cidade.
As ruas são estreitas e o calçamento é de pedra
Uma pequena jóia é a Igreja de Saint Firmin construída no séc. XII, originalmente dedicada à Nossa Senhora. Mas, reconstruída no séc. XVIII, passou a ser consagrada à Saint Firmin.
E o caminho estreito sempre revela grandes paisagens
Um super visual
Em Gordes é assim, ruas, casas e muros de pedras.... e os trinta minutos passaram voando...hora de prosseguir para Roussillon.

Em poucos minutos uma mudança radical na paisagem, diferente de tudo o que já havia visto. Roussillon é a cidade ocre.
Roussillon está situada no maior campo de ocre do mundo. Por conta dessa riqueza mineral, o vilarejo é um dos mais visitados na região e as casas são todas pintadas utilizando a tinta de suas rochas.
O visual é fabuloso e o meu figurino quase se confunde com as cores da cidade.

Finalizando a visita uma feira com produtos locais como lavanda e muitos temperos da Provence.
Roussillon é mais um desses lugares que você chega e quer ficar e vale mesmo!
Pont Julien - patrimônio preservado
Saímos de Roussillon e seguimos para Lacoste, no caminho passamos pela Pont Julien. Esta ponte foi construída sob as ordens de Jùlio César. Segundo os historiadores, a ponte deve ter sido construída entre 27 a.C - 14 d.C.

Ainda na estrada passamos em frente à antiga casa do escritor Peter Mayle, autor do consagrado romance "Um ano na Provence". Depois do sucesso do livro e consequente descoberta que o autor morava nesta casa, os turistas passaram a frequentar o local. E, óbvio, Peter foi procurar outro pouso mais tranquilo.
E, finalmente, chegamos à Lacoste um vilarejo onde o maior destaque é o Castelo do Marquês de Sade. O Castelo estava em ruínas, mas foi comprado em 2001 por Pierre Cardin. O Castelo ainda passa por restauro, mas em sido palco do Festival Lacoste que acontece anualmente, dedicado à dança, ópera e teatro. O próximo vai acontecer de 9 a 24 de julho.

As esculturas que estão espalhadas pelo jardim são monumentais 
Poderíamos chamá-la de "aquele abraço", mas é uma obra sem nome de um artista russo chamado Alexander Bourganov. Na foto, eu e Anne - nossa guia - reproduzindo a obra.

"Marquês de Sade" - obra do escultor Ettore Greco
"Árvore da Vida" - Ettore Greco

E o tour chegou ao fim no pequeno vilarejo de Ménerbes, que fica no alto de um rochedo. Lá encontramos a Maison de la Truffe et du Vin du Luberon, espaço que reúne restaurante, enoteca, cursos e conferências sobre trufas e vinhos. E, claro, uma lojinha onde podemos comprar azeite trufado entre outras coisas.

Place de l'Horloge

O tour foi espetacular, um passeio que durou 5 (cinco) horas com muita informação e paisagens inesquecíveis. Valeu muito.

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