sexta-feira, 10 de junho de 2011

Tesoros del antiguo Perú

O papo rolou animado pelo caminho de San Isidro até o bairro de Pueblo Libre onde fica o Museo Larco Herrera. Miguel estava empolgado e enquanto dirigia foi falando sobre tudo o que eu iria ver no Museu, falava com grande conhecimento, aprecia um guia turístico - com tanto conhecimento, talvez seja até melhor que um guia. Depois de 15 minutos chegamos ao Museu. Uma grande mansão de muros brancos e cercada de flores. 

O Museu Rafael Larco Herrera foi fundado por Don Rafael Larco Hoyle em 1926, em homenagem a seu pai e abriga mais de 45000 peças, que estão distribuídas de maneira cronológica em diversas galerias, que mostram um panorama de 3000 anos de desenvolvimento da história do Peru  pré-colombiano.


Com apenas 25 anos de idade, Rafael Larco Hoyle fundou o Museu Larco.Ele é considerado o pai da arqueologia peruana e graças ao seu intenso trabalho de pesquisa, sua cronologia das culturas pré-colombianas é adotada até os dias de hoje pelos arqueólogos.
 
Na primeira sala painéis explicativos com as seis regiões do mundo de onde surgiram as primeiras civilizações e um mapa com a geografia do Peru.


Galeria das Culturas e sala têxtil 

Três salas com objetos rituais em cerâmica, pedra e madeira pertencentes às culturas do antigo Peru em sequências cronológicas e regionais: costa norte, costa central, costa sul e serra do Peru. 
 
El felino antropomorfo Cupisnique - Época formativa (1250 a.C - 1 d. C). Transformação do homem em felino.

Peça da Época Formativa (1250 a. C - 1 d.C)

Ao contemplar essa túnica, muitos ficam admirados apenas com a beleza, mas desconhecem o valor que tiveram os tecidos nas sociedades pré-colombianas. Os tecidos podem ser comparados com o ouro e a prata. Além de cumprir a funçãod e vestimenta, também serviam para difundir ideias religiosas e levar mensagens ao além, ao serem usados para envolver os mortos. Também eram presentes para governantes e serviam para marcar diferenças sociais.

O Real valor do Ouro

O museu tem duas Galerias de Ouro e Jóias com duas salas onde estão expostos os recipientes cerimoniais, os vestidos e adornos dos governantes, coroas e diversos adornos.

O ouro e a prata tão cobiçado pelos colonizadores, para os povos pré-colombianos eram apenas a representação do sol e da lua, de seus descendentes e governantes. Os dois metais eram muito importantes para as culturas andinas, não necessariamente pelo seu valor econômico, mas pela capacidade de simbolizar o poder dos deuses e daqueles que desempenhavam um papel importante na ordem social.
Díficil fazer qualquer relato diante de tanta beleza, cuidado e conservação. É ver, admirar e agradecer a Deus por contemplar e, de certa forma, viver a História.
Dispensei a visita guiada e, preferi, no meu ritmo ir lendo os painéis, observando as peças, as cenas, e assim gastei quase duas horas na primeira parte do Museu..

Sala Erótica

No andar térreo está localizada uma pequena galeria com seleção de objetos arqueológicos com representações sexuais na arte pré-colombiana peruana, fruto de um intenso trabalho de estudos e pesquisa de Don Rafael Harco Hoyle que foi publicado no livro Checán (1966). A primeira vista, os "copos eróticos" podem dar origem a diversas interpretações, além de provocar um certo riso. Porém, essas representações são símbolos da fertilidade e procriação, bem como a união do mundo físico com o mundo espiritual.

Foi um sucesso! -  como diria um amigo. O Museu Larco Herrera merece a visita. Aí onde estou, nesse belo jardim, tem um Restaurante e, claro, uma lojinha. 
Vista parcial da Praça em frente ao Museu, onde está a estátua em homenagem a Don Rafel Larco Hoyle.

E aí está Miguel Sánchez e o seu táxi - nota 10! Miguel fez um excelente trabalho, além de ser muito simpático e conhecedor da cidade onde mora. Um cartão de visitas e tanto. Fica aqui registrado o meu agradecimento.
Saímos de Pueblo Libre e pedi ao Miguel para me deixar próximo ao Shopping Larco Mar, onde iria procurar um restaurante para almoçar...aí mais uma vez Miguel mostrou serviço e indicou um ótimo restaurante, onde tive um encontro surpreendente ...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Plano B, por acaso

Quando viajo, se uma programação não dá certo, tento um  Plano B e procuro aproveitar o dia ... afinal estou passeando e curtindo a vida, não é mesmo? Ao encontrar o portão da Huaca Pucclana fechado, na hora pensei nas diversas possibilidades de programas que Lima me oferecia, mas esbarrei no feriado. Será que encontraria outro museu fechado? E como acontece nas novelas, havia um taxista parado próximo - acho que ele já sabia o que poderia acontecer - me dirigi até ele e comecei a conversar e perguntei se era comum algumas atrações fecharem no feriado. Ele disse que alguns museus estariam fechados, mas que havia alguns particulares que estariam abertos e que poderia me levar. Como já disse aqui,  os táxis em Lima não tem taxímetro e logo pensei que ia entrar numa roubada. Porém, o simpático motorista disse que me levaria até ao Museu Larco Herrera por apenas 25 Soles (mais ou menos uns 16 reais) - bem razoável. Conversamos um pouco mais e o taxista me disse que poderia parar um pouco em San Isidro para que eu fizesse umas fotos. Tudo acertado, partimos.

Em poucos minutos chegamos em San Isidro - bairro mais chic, mais verde e mais rico de Lima. O vaso enorme da foto acima é herança dos tempos de fabricação de azeite. San Isidro tem um grande bosque de oliveiras.

 Um outro equipamento usado na produção de azeite.

Foi um passeio bem agradável por San Isidro. Não ficamos mais tempo porque o táxi não podia ficar parado na rua, sob risco de sofrer uma multa.
Eu já estava bem satisfeito com tudo. Mas aí veio uma grande surpresa. A Huaca Huallamarca - outro sítio arqueológico - estava aberta e o falante Miguel Sánchez - o taxista - disse que poderia descer e visitar. 

 A Huaca Huallamarca é o sítio arqueológico mais importante de San Isidro.

Um rápido histórico para situar: O nome de Huallamarca deriva do vocábulo  quechua “marca” que significa, comarca ou povo e Hualla era o nome de uma tribo.Quando os Incas no século XV chegaram à costa, encontraram o vale de Lima povoado  por várias tribos, uma delas era os Huallas.Os Huallas utilizaram o lugar para enterrar seus mortos, depois, provavelmente, as terras de cultivo foram úteis para outros fins que não foram agrícolas. A estrutra da Huaca se assemelha a uma pequena colina, resultado conseguido através da superposição de tijolos de 20 x 20, aproximadamente, feitos à mão. É provável que tenha sido, em sua origem, um lugar cerimonial. Seu destino posterior começa com o abandono e desaparecimento dos seus donos por causas desconhecidas. (*)


 Máscaras e outras objetos estão expostos no pequeno Museu.

E até essa múmia de uma criança - provavelmente morta em ritual, como sacrifício aos deuses, prática muito comum dessas culturas.

A grande colina que leva ao topo da pirâmide da Huaca Huallamarca...

 ... de onde podemos avistar as ruas de San Isidro e os seus prédios modernos.
Um contraste interessante entre o passado e o futuro. Tudo muito bem preservado.
A visita não durou mais que 30 minutos. Miguel esperava tranquilamente para a nossa próxima parada: Museu Larco Herrera.

(*) Traduzido do site sanisidrolima.com

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A caminho da Huaca Pucllana

No post anterior comentei que não havia sido possível visitar Huaca Pucllana - sítio arqueológico, local dos jogos sagrados - daí deixei para fazer a visita no dia seguinte. Era Sexta-feira Santa. O dia amanheceu lindo, céu azul e muito sol. Depois do farto café da manhã, peguei o mapa e resolvi ir a pé. Afinal, para conhecer bem uma cidade...é preciso caminhar.

Embora fosse uma longa caminhada, sabia que ia valer a pena. Olhando o mapa parecia muito longe, mas quando estamos apenas passeando, o tempo passa e a gente nem sente. Na Av. 28 de Julio, vi este edifício com ares antigos, mas logo observei o "puxadinho" que tirou um pouco o charme da construção.

Na Av. Alfredo Benavides, já próximo ao centro de Miraflores, fica este Cassino com duas cachoeiras artificiais nas laterais - nada mais cafona. Aliás, estou sendo redundante, pois nada mais cafona do que um cassino.

Enfim, cheguei à Av. Larco, onde estão vários restaurantes, hotéis, albergues, cassinos, lojas e bares. Aqui é o centro de Miraflores, onde tudo acontece.
O Parque Central de Miraflores é muito bem cuidado, além de tranquilo e tem belos jardins.
 Igreja da Virgem da Medalha Milagrosa
Depois de atravessar o Parque Central, chegamos à Avenida Arequipa, atravessando os bairros de Miraflores e San Isidro.
Quem dera ter uma ciclovia assim, tão bem cuidada. Dá vontade até de parar e sentar nos bancos para ficar vendo o movimento. Nota-se a limpeza total da cidade. É um passeio, no mínimo, agradável.

 Muitos prédios antigos pelo caminho

Faculdade de Engenharia - prédio simples, bem conservado e sem pichações.

Prédio da Aliança Francesa. Muito bonito. Acho que é uma das maiores escolas da AF na América Latina...ou será que estou "viajando"?
E logo depois de ver o prédio da Aliança, entrei na Av. Angamos Oeste e avistei a pirâmide da Huaca Pucllana.

Achei ótimo não ver ônibus nem vans de turismo, sinal de que faria uma visita tranquila...

Só que ao chegar na porta da Huaca tive uma boa surpresa. Estava fechada por conta do feriado. Nem havia pensado nessa possibilidade. O jeito seria fazer outro programa. Mas para onde ir? Começar o dia assim com um programa furado não é nada bom. Mas, sabe que às vezes nem tudo é como pensamos? Quer saber como terminou esse dia? Continue acompanhando...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

City Tour para conhecer Lima

Confesso que não é minha praia fazer City Tour. Prefiro pegar um guia, um mapa e ir à luta. Mas quando não se tem muitos dias pela frente o jeito é se render e fazer o programa. Antes de agendar o City Tour com a recepção do Hotel, fiz algumas perguntas sobre a possibilidade de ir sozinho até o Centro. Segundo a recepcionista, não ficava longe, mas ir de ônibus era meio complicado e o ideal seria pegar um táxi. Acontece que os táxis em Lima não possuem taxímetro, vale a negociação com o taxista. A fim de evitar aborrecimentos,  resolvi fazer o City Tour e desembolsar US$ 30. A recepcionista ligou para a agência e informou que às 14h30 passariam no Hotel. Almocei uma parrillada num restaurante chamado Norkys (é uma rede, parece que é do mesmo grupo do Gaston & Astrid). Quinze minutos após o horário previsto chegou uma Van e lá fui eu para o City Tour. Depois de passar em todos os hotéis chegamos em uma praça e de lá passamos para um ônibus e  finalmente começamos o Tour Panorâmico que é dividido nas seguintes etapas:
- Lima Ancestral
- Lima Colonial
- Lima Contemporânea
Com o ônibus parado o guia começa a falar da "Lima ancestral" apontando para o sítio arqueológico "Huaca Pucllana" - lugar dos jogos sagrados. O ônibus parte e aí me dei conta de que teria que voltar outro dia para visitar o local.
Em seguida passamos por El Olivar - um parque cheio de oliveiras - que fica em San Isidro. É uma área nobre, com muitas embaixadas, hotéis de luxo e mansões. Na foto acima um antigo vaso para guarda do azeite. Saímos de San Isidro e passamos por uma área com avenidas largas e seguimos na direção da "Lima Colonial".

 
É quase imposssível andar de ônibus e fotografar... mas fui registrando o que era possível.
A "Lima Colonial" é dedicada ao Centro Histórico, o Paseo de la República, Plaza San Martin, Plaza Mayor, Palacio de Gobierno e o Conjunto Monumental de San Francisco.
Plaza San Martin - nossa primeira parada  e 10 minutos para fotos! Em seguida nos dirigimos para a Plaza Mayor - um conjunto colonial riquíssimo e ecertamente o mais bonito de Lima.
A Praça estava lotada por conta do feriado da quinta-feira santa.  Os fiéis faziam fila - enorme - para entrar na Catedral da cidade, bem como para ver a exposição sobre Machu Pichu no Palácio do Governo.
Descemos e o Guia informou que teríamos 20 minutos. Claro que nos 20 minutos estavam inclusas as explanações que ele faria... Na foto acima a bela Catedral - antigo espaço de um templo inca dedicado ao deus Puma.

Esses prédios amarelos cercam boa parte da praça e chama atenção os balcões de madeira.
Ao lado da Catedral fica este belo prédio que é o Museu de Arte Religiosa.

No meio dessa confusao de pessoas, três integrantes do grupo desapareceram - e que transtorno. Era um casal com uma criança, foram ver as lojas de souvenirs. OO guia esperou além do tempo estipulado e desistiu. Da Plaza Mayor seguimos a pé até o Conjunto Monumental de San Francisco.

No caminho passamos pela Casa da Literatura Peruana
E enfim, a Igreja de San Francisco. Percebemos uma multidão de fiéis que estavam numa fila para entrar na Igreja. Nem tentei entrar, óbvio. Nos dirigimos para o Convento de San Francisco, para visitar parte da coleção de arte religiosa, que dizem ser a maior da América. Porém, o melhor da visita é entrar no museu das  catacumbas.Trata-se das criptas da Igreja , que só foram descobertas em 1951 e guardam as ossadas de mais ou menos 70 mil pessoas. Não recomendo esse passeio para pessoas claustrofóbicas. Chega a espantar a quantidade de ossos. Pena que as fotos são proibidas. Essa visita dura quase 1 hora e todos os detalhes são muito bem explicados.
Imagens de Cristo vendidas por ambulantes nos arredores da Igreja de San Francisco. 10 entre 10 limenhos tinham essa imagem na mão.

Depois da visita ao Convento, o Tour prosseguiu em direção à "Lima Contemporânea" passando por Miraflores, mostrando o Shopping LarcoMar que fica incrustado num barranco a mais de 70 metros de altura e de frente para o mar. Já era noite e preferi descer  no Shopping e dar um giro pelas redondezas.
Como ninguém é de ferro um Pisco Sour e esse milho incrível de pipoca super crocante!
Resumo da ópera: foi bom ter feito o Tour para ter ma ideia da cidade, mas sinceramente, acho dispensável. E vocês entenderão o porquê nos próximos posts.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pisco Sour

O voo do Rio de Janeiro para Lima tem duração aproximada de cinco horas, sem escalas. Saí do Rio no dia 21 de abril às 06h11 e cheguei em Lima por volta de 09h25 (hora local, há diferença de duas horas). Voei de TACA Airlines e gostei dos serviços. As surpresas em Lima começam no Aeroporto, muito superior ao nosso Tom Jobim. Pena que não consegui fazer fotos na chegada. Saí logo e vi o motorista segurando uma plaquinha com meu nome. Fazia um pouco de calor e o tempo estava nublado. O Aeroporto Internacional Jorge Chávez, na verdade fica em Callao, município próximo à Lima. Dali até o Hotel levaria uns 35 minutos. O motorista, muito simpático, era falante e no meu "portunhol" fui conversando com ele e conhecendo a cidade e  falando um pouco do Brasil, do Rio.... 
Fiquei hospedado no Nobility um hotel quatro estrelas muito confortável no Bairro de Miraflores. Só lamentei que estava um pouco afastado do "agito geral". Miraflores é um bairro fantástico em Lima, algo como Ipanema aqui no Rio, mas o hotel ficava um pouco afastado do centro do bairro. Porém, nada complicado pegando um táxi ou até mesmo ônibus - menos de 5 minutos. A pé dava uns 20 minutos.
Foto parcial do saguão do Hotel
Como havia chegado cedo e o quarto ainda não estava preparado, aproveitei para tomar o drink de boas vindas do Hotel:  Pisco Sour - o drink número 1 do Peru. Aí não hesitei, com a máquina em punho comecei a registrar as etapas da preparação da bebida, tudo explicado pela simpática barwoman.

Existe uma briga entre Peru e Chile sobre a criação desse drink que é feito de maneira distinta em cada país. O Pisco, para quem não sabe,  é uma aguardente de uva branca produzida no Peru. Tem um sabor agradável e forte. E como o Pisco é produzido no Peru, logo o Pisco Sour é peruano e ponto final!
Vamos a receita: duas doses de pisco
1 dose de xarope de açúcar (pode ser substituído por açúcar)
2 doses de suco de limão e ... uma clara de ovo! (isso mesmo!)
Gelo
Bata na Coqueteleira por uns 20 segundos
Coe e ...
... finalize com duas gotas de Angostura (ou canela)
Et voilà! Pisco Sour! Arriba y adentro!!!

Essa foi a melhor chegada em Hotel que já tive.
%%%%%%%
Acho que não expliquei direito e, relendo o post anterior, dá a entender que estive em Cuzco e Machu Pichu, mas só fiquei em Lima. Eram apenas quatro dias e não gosto de fazer nada correndo. Só fiquei em Lima.

Balcão de Perguntas

Nome

E-mail *

Mensagem *