sexta-feira, 1 de maio de 2015

Um giro pela Provence


Entre todas as coisas que me agradam na França, uma delas é o fato de que não importa onde for, o visitante vai encontrar o Office de Tourisme (Informações Turísticas). E foi no Office de Tourisme de  Avignon que encontrei um passeio para conhecer o Parc Naturel Régional du Luberon, que faz parte da região Provence-Alpes-Côte d'Azur. Esses passeios quebram o maior galho, sobretudo se você não dirige, como eu e vive na dependência de ônibus e trens. Porém, para certos lugares só mesmo o carro. Tudo foi acertado lá mesmo no Office de Tourisme, inclusive o pagamento. A empresa Provence Panorama opera diversos roteiros pela região, e a partir de dois passageiros já é possível contratar uma excursão com um Guia-chofer. 
E assim, na manhã ensolarada do dia 04 de setembro de 2014, parti em direção ao Luberon, um grande parque natural que possui 185.000 hectares e é composto por 77 vilarejos. O nosso tour começa em Gordes com suas casas de pedras, conhecidas como "bories". 

O vilarejo encanta desde o primeiro momento com sua paisagem deslumbrante.

Abadia Nossa Senhora de Sénanque (Notre-Dame de Sénanque) é um dos exemplos mais puros da arquitetura cisterciense primitiva e sua construção data de 1148. Aqui residem monges que vivem em comunidade e fabricam produtos à base de lavanda. Não visitamos a Abadia porque não estava no Roteiro, apenas olhamos assim de longe e descemos para ver a entrada. Há visitas guiadas em francês, mas também pode-se visitar individualmente. Para as visitas pede-se estar vestido corretamente (nada de shorts, decotes etc...)

Entrada da Abadia com seus campos de lavanda e trigo.
Continuamos nosso passeio pelo Vilarejo de Gordes com suas ruas estreitas e arquitetura original.
Fizemos uma parada de 30 minutos para dar um giro pelo centro do vilarejo. Claro que a vontade é de ficar muito mais tempo, principalmente quando começamos a caminhar e a descobrir a cidade.
As ruas são estreitas e o calçamento é de pedra
Uma pequena jóia é a Igreja de Saint Firmin construída no séc. XII, originalmente dedicada à Nossa Senhora. Mas, reconstruída no séc. XVIII, passou a ser consagrada à Saint Firmin.
E o caminho estreito sempre revela grandes paisagens
Um super visual
Em Gordes é assim, ruas, casas e muros de pedras.... e os trinta minutos passaram voando...hora de prosseguir para Roussillon.

Em poucos minutos uma mudança radical na paisagem, diferente de tudo o que já havia visto. Roussillon é a cidade ocre.
Roussillon está situada no maior campo de ocre do mundo. Por conta dessa riqueza mineral, o vilarejo é um dos mais visitados na região e as casas são todas pintadas utilizando a tinta de suas rochas.
O visual é fabuloso e o meu figurino quase se confunde com as cores da cidade.

Finalizando a visita uma feira com produtos locais como lavanda e muitos temperos da Provence.
Roussillon é mais um desses lugares que você chega e quer ficar e vale mesmo!
Pont Julien - patrimônio preservado
Saímos de Roussillon e seguimos para Lacoste, no caminho passamos pela Pont Julien. Esta ponte foi construída sob as ordens de Jùlio César. Segundo os historiadores, a ponte deve ter sido construída entre 27 a.C - 14 d.C.

Ainda na estrada passamos em frente à antiga casa do escritor Peter Mayle, autor do consagrado romance "Um ano na Provence". Depois do sucesso do livro e consequente descoberta que o autor morava nesta casa, os turistas passaram a frequentar o local. E, óbvio, Peter foi procurar outro pouso mais tranquilo.
E, finalmente, chegamos à Lacoste um vilarejo onde o maior destaque é o Castelo do Marquês de Sade. O Castelo estava em ruínas, mas foi comprado em 2001 por Pierre Cardin. O Castelo ainda passa por restauro, mas em sido palco do Festival Lacoste que acontece anualmente, dedicado à dança, ópera e teatro. O próximo vai acontecer de 9 a 24 de julho.

As esculturas que estão espalhadas pelo jardim são monumentais 
Poderíamos chamá-la de "aquele abraço", mas é uma obra sem nome de um artista russo chamado Alexander Bourganov. Na foto, eu e Anne - nossa guia - reproduzindo a obra.

"Marquês de Sade" - obra do escultor Ettore Greco
"Árvore da Vida" - Ettore Greco

E o tour chegou ao fim no pequeno vilarejo de Ménerbes, que fica no alto de um rochedo. Lá encontramos a Maison de la Truffe et du Vin du Luberon, espaço que reúne restaurante, enoteca, cursos e conferências sobre trufas e vinhos. E, claro, uma lojinha onde podemos comprar azeite trufado entre outras coisas.

Place de l'Horloge

O tour foi espetacular, um passeio que durou 5 (cinco) horas com muita informação e paisagens inesquecíveis. Valeu muito.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

De Paris para Avignon!

Cheguei em Paris no dia 02 de setembro do ano passado e no dia seguinte bem cedo já estava saindo do Hotel Ibis para pegar o TGV com destino à Avignon. Optei em passar a noite nesse Hotel por ser o mais próximo da Gare de Lyon. Hotel Ibis é igual em toda parte e para uma noite foi perfeito. 

O café da manhã foi na estação. Eu gosto de chegar na estação com pelo menos 30 minutos de antecedência ou até um pouco mais. Assim tomo um café, passo numa livraria... e assim que o trem é anunciado vou calmo para a plataforma... 

Instalado e confortável no trem. O vagão que viajei não estava cheio e isso é maravilhoso, ainda mais quando se tem 2h45 de viagem...

Cheguei em Avignon por volta de 11h25, céu azul e sol forte. Da Gare até o Hotel não levaria nem 10 minutos a pé. Dispensei o táxi e segui com as duas malas. E poucos minutos depois já avistava as muralhas da cidade antiga. E ao passar os muros entrava num outro mundo... 
Para as duas noites em Avignon escolhi o Hotel Mercure Avignon Cité des Papes, coladinho ao Palais des Papes e da Place de l'Horloge. Excelente localização. 
O quarto era muito confortável e espaçoso... e com um frigobar vazio! Acho ótimo, você compra o que quiser e abastece. 

O apartamento era de fundos com vista para o Palais des Papes
Depois de uma boa ducha, saí para dar um confere na cidade. E lá estavam os ícones de uma cidade pequena e acolhedora... a Ópera,
o carrossel na Praça, soube que este existe desde 1910, e 
... a Prefeitura
Igreja dos Jesuítas, atualmente Museu de Lápides.
Almocei em um dos restaurantes da praça, filé de rouget (um peixe) acompanhada de um risoto leve, muito bom.
Depois do almoço segui na minha expedição exploradora e no caminho encontrei o carro elétrico da foto, "Baladine". Uni o útil ao agradável, um passeio de 30 minutos pelo Centro, sem poluir o meio ambiente e sem gastar muito. Custa apenas 0,50 Euro. Melhor impossível! No passeio fui descobrindo um pouco mais da cidade.
Típico bistrô francês com mesinhas na calçada e atmosfera retrô. Chez Lulu pareceu-me bem interessante e acolhedor, mas não pude conferir. Porém, deixo aqui o endereço para quem quiser fazer  a descoberta: 6, Place des Châtaignes.
Avignon possui avenidas largas e arborizadas. Olhando assim na foto, parece até uma cidade fantasma... Onde está a população? Fugiu do sol???
Église du Couvent des Célestins - essa igreja que recebeu o túmulo de Clemente VII e foi considerada uma das mais luxuosas de Avignon até o séc. XVIII foi totalmente devastada durante a Revolução Francesa.
E para quem pensa que a vida numa cidade pequena é meio sem graça... tem umas lojinhas e uns cineminhas para animar a moçada... como observo tudo, não ia deixar passar em branco. O Love Show nem tinha como  não ver, pois fundo vermelho e letras pretas é para chamar a atenção mesmo.
E nessa ruela, cujo nome deixei de anotar, encontrei mais um Sex Shop e um Cinema que exibe filmes "adultos". De tédio ninguém morre... mas vamos ao que realmente interessa:
 O Palácio dos Papas 
Uma das maiores construções góticas da Europa na  idade média. Durante o século XIV foi a Sede da Igreja Católica e residência de diversos Papas, onde foram realizados seis conclaves. O Palácio é a junção do prédio velho - uma fortaleza - de Bento XII com o novo Palácio de Clemente VI.
O fausto dos tempos do século XIV  não existe mais, claro. Mas ainda é possível ver a sombra dos belos afrescos e a grandiosidade da edificação. 

Bento XII - Papa de 1334 a 1342, foi o responsável pela construção do Palácio Velho. Seu sucessor foi Clemente VI, o Papa do luxo, amante das artes. Deu um verdadeiro banho de loja no antigo palácio e o ampliou com a construção do palácio novo. Ficou 10 anos como chefe da Igreja, de 1342 a 1352.

Afresco em um dos quartos do Palácio. As fotos são proibidas, mas discretamente tudo é permitido...
Galeria com quadros de todos os Papas de Avignon
A Grande Capela - hoje usada como Galeria de Arte. Confesso que não gostei dessa intervenção. Preferia que o local estivesse vazio .
"Árvores" góticas

E ao final da visita um presente: a vista sobre a cidade

Museu do Petit Palais
Detalhe da Torre do Palácio
Ao fundo a Catedral de Notre Dame des Doms do séc. XII - a igreja fechou para restauro em Setembro/2013, com prazo de reabrir em 18 meses. Acredito que o restauro já deve ter sido concluído. Saí do Palácio muito satisfeito com a com a "viagem" que fiz.

Após a visita ao Palácio, segui para a Pont d'Avignon ou Pont Saint-Bénézet, construída entre 1177 e 1185. Originalmente, a ponte tinha uma extensão de 900 metros e possuía 22 arcos. Era a principal ligação entre Avignon e Lyon sobre o rio Rhône. Ao longo dos séculos a ponte foi destruída pelo rio e reconstruída. Isso durou até o século XVI, quando deixou de ser utilizada. O que restou foram quatro arcos, a Capela de Saint-Nicolas e a canção "Sur le pont d'Avignon" - que tornou a ponte conhecida no mundo inteiro -  quer ouvir? clique aqui.

Sur le pont d'Avignon, on y danse, on y danse,
Sur le pont d'Avignon,  on y danse,  tous en rond
E com essa vista linda sobre o Rhône finalizei o dia em Avignon

Um brinde para fechar a noite...exausto, mas feliz!!

Balcão de Perguntas

Nome

E-mail *

Mensagem *