Deixei o Flamínio e voltei ao Hotel para descansar um pouco. Raramente faço isso. Mas, essa parada no meio da tarde caiu muito bem. Dormi, tomei um banho e saí novinho em folha, sem destino. Cheguei à Piazza del Popolo e decidi caminhar às margens do rio Tevere. Do ponto em que estava na Piazza del Popolo, poderia ter seguido a Via di Ripetta, mas preferi atravessar a Porta del Popolo e seguir pelo outro lado. É muito bom fazer caminhos diferentes.
O curioso é que em 2010 eu via as pessoas caminhando na direção da porta e em momento algum eu fui conferir o que se passava do outro lado.
A tarde estava bonita, o sol fraco, um vento quase gelado e fui caminhando lentamente para arquivar na memória aqueles momentos.
Uma das melhores coisas que se tem é passear pela ponte em frente ao Castelo e ficar admirando os anjos de Bernini. Apesar de estar claro, já passava das 18hs. Os anjos parecem flutuar sobre a ponte. Só vendo ao vivo para ter essa ideia.
Atravessei para o outro lado, desci para andar mais perto do rio e quando subi e retornei à Ponte, vejam só quem eu encontrei:
Ela mesmo! Ilze Scamparini, repórter da Rede Globo, radicada em Roma há um bom tempo. Estava gravando uma matéria para o Jornal Nacional. É óbvio que eu não ia perder a oportunidade de falar com a jornalista. Ilze repetia diversas vezes o texto. É curioso os bastidores da televisão, no ar essa matéria não dura 2 minutos, mas até ficar tudo pronto leva tempo. A cada momento Ilze parava e recomeçava. Eu estava do outro lado observando tudo. As pessoas passavam e olhavam. Alguns turistas fotografavam e outros paravam próximo, tipo papagaio de pirata. Assim que tudo terminou me aproximei e me apresentei. Ilze foi super receptiva e me apresentou a sua equipe: a moça da foto (que é produtora e cujo nome não lembro) e Maurizio della Constanza, o câmera.
Fiquei um pouco mais pelo Castel Sant'Angelo - este é o cenário da cena final da ópera Tosca de Puccini (sempre ele no meu caminho). E como vocês podem observar o tempo mudou, as nuvens tomaram conta do céu e começou a ficar mais frio.
Uma imagem vale mais que mil palavras...
Foi um dia extremamente agradável. A bateria da cãmera caiu de novo. Não lamentei, não precisava fotografar mais nada. Também não dá para registrar tudo o que passamos numa viagem. Até gostaria de ter feito uma foto no Cafè Noir (Via di Ripetta, 256), local muito simpático, onde parei para tomar um Capuccino e atualizar o meu Diário de Viagem. Porém, está tudo registrado na mente. Lembro como se fosse agora da senhora americana que estava sentada na mesa atrás de mim, lia um livro e estava acompanhada com uma taça de vinho. Éramos os únicos naquele Café. Retornei ao Hotel e depois saí para jantar, já eram quase 22 hs. Fui jantar mais uma vez na Trattoria da Ugo al Gran Sasso (Via di Ripetta, 32) e jantei cordeiro com batatas, acompanhando uma taça de vinho e o Tiramissu de sempre, como sobremesa. O restaurante estava vazio, o que permitiu trocar umas palavras com o proprietário. Disse que estava retornando porque havia gostado. Ele sorriu e gentilmente me ofereceu um Limoncelo e disse que eu seria sempre bem-vindo ali. Bom, né? A noite estava fria, mas decidi caminhar um pouco e desci a Via di Ripetta até a Ponte Cavour, quando avistei o Castel Sant'Angelo iluminado, disse: "Arrivederci Roma!"
No dia seguinte, acordei cedo para ajeitar as malas e logo que terminei o café fui dar minha última volta em Roma. Às 11hs deveria deixar o quarto e o meu trem para Firenze estava marcado para às 12h25. E para "variar": Piazza del Popolo. Acho essa Praça espetacular, principalmente por conta dessas duas igrejas gêmeas.
A Porta del Popolo na parte de dentro da Praça. Segui pela Via di Ripetta e fui andando sem rumo certo. Deixei a cidade me levar.
Não sei exatamente em que ponto estava e entrei na Via Antonio Canova, logo avistei esse prédio com partes de esculturas nas paredes. Fiquei observando as peças e li numa das placas que o edifício havia sido o estúdio do artista. E, nada mais correto e justo, que aquela rua se chamasse Antonio Canova!
E é dessa maneira que vamos descobrindo as coisas quando viajamos: caminhando.
Voltei ao Hotel Centrale, fechei a conta, bati um longo papo com Gian Pietro (o recepcionista que fala francês), e fiquei aguardando o táxi - metrô de novo, nem pensar!
Cheguei na estação com tempo e fiquei esperando o ...
... Frecciarossa que me levaria para Firenze
Confortável na minha poltrona e aguardando as emoções da Toscana...
