quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Descobrindo Istanbul - Capítulo 2

Istanbul, 20 de agosto de 2014
Acordei por volta de seis da manhã. Inacreditável para quem viajou uma noite inteira e dormiu pouco, mas havia prometido para minha endocrinologista que iria correr todos os dias. E assim foi. Ao chegar à recepção do Hotel, uma boa notícia: as malas chegaram. A Air France as entregou ainda na madrugada. Ufa! Saí e fui correr...e lamentei não estar com o smartphone para clicar a cidade acordando. 

Depois do café da manhã, fui explorar a cidade. Acho admirável quem sai do Hotel com um roteiro prontinho para passear. E acho mais admirável ainda, quem sai do Brasil com agenda pronta com todos os passeios organizados e os lugares a serem visitados. E eu sou o contrário de tudo isso, vou saindo e deixando a cidade me levar. Claro que a organização ajuda, mas não consigo. Quem sabe um dia...
Saindo do Hotel Kupeli, eu subia uma ladeirinha e já chegava em uma das ruas principais da cidade velha, onde passa o tramway E ao terminar a ladeira a primeira visão é a da Coluna de Constantino, ou seja, um tropeço na história. Essa coluna de 35 metros ocupava o centro do fórum de Constantino, e exibia no alto uma estátua do Imperador vestido como o deus Apolo. Foi erguida como parte dos atos de inauguração da nova capital do Império romano em 330!
E quase em frente à Coluna de Constantino, fica o Banhos de Çemberlitas, construído no século XVI e projetado por Sinan. Ainda vamos falar muito de Sinan. E só esse pequeno passeio já me deixou sem fôlego.

Lembram do Cemitério? Olha ele lá do outro lado da rua... e eu pensando: "para onde ir???" Desci a rua e fui em direção à Mesquita Azul, achei que ia ser um bom começo.
Lá atrás a imponente Mesquita Azul
Fonte do Kaiser Guilherme II. Foi um presente do imperador alemão ao Sultão Abdul Hamit II em 1901 e fica na Praça Sultanahmed (antigo Hipódromo), que por sinal, era um dos cenários das minhas corridas matinais em Istanbul.
Além da fonte, a praça abriga dois obeliscos. O primeiro, com inscrições hieroglíficas, foi trazido à istanbul pelo Imperador Teodósio. O segundo, conhecido como Obelisco Murado foi originalmente decorado com placas de bronze dourado, com escritos que relatavam as vitórias de Basílio I, avô de Constantino VIII.
   
Coluna Serpentina (ou das Serpentes), foi trazida por Constantino, o Grande,   do Templo de Apolo em Delfos, na Grécia, e data de 479 a.C. A coluna leva esse nome porque é constituída por três serpentes entrelaçadas, cujas cabeças sustentavam uma bandeja de ouro. Ao que parece, até o século XVI as cabeças das serpentes estavam no lugar. Porém, só resta uma cabeça, que está no Museu Arqueológico de Istanbul.

Depois de admirar a Praça, caminhei em direção à Mesquita Azul e a fila para entrar dava mil voltas. Motivo: Cruzeiros na cidade. Dois ou três navios. Sem estresse, afinal tudo é diversão, segui para a Hagia Sophia.
Hagia Sophia ou Ayasofya, em turco, é a ex-Basílica de Santa Sofia, também conhecida como Igreja da Sabedoria Divina. Aqui, para não prolongar muito, a história é a seguinte: foi construída no local de uma Igreja destruída pelo fogo em 404, e depois, no lugar de outra, derrubada durante a Revolta de Nika em 532. A atual foi inaugurada pelo Imperador Justiniano em 537 e permanece até hoje, apesar das guerras e terremotos. Foi convertida em Mesquita em 1453 - após tomada de Constantinopla pelos turcos - e, desde 1934 foi transformada em museu. E haja História! 
E tudo que posso dizer é que você fica meio tonto, meio bobo, meio sem saber o que fazer diante de tanta riqueza e beleza, representada nos diversos mosaicos espalhados pelas paredes, bem como os símbolos da fé muçulmana. A visita pode levar horas ou minutos, de acordo com o gosto do freguês. Quem me conhece sabe que fiquei muito tempo nesse edifício monumental.
 E não havia como ser diferente...a arte está em todos os lugares, em cada detalhe. 


Os belíssimos medalhões caligráficos que enfeitam a nave. Podemos notar no alto que as paredes estão "sujas" de branco, ainda resultado do gesso que cobria os mosaicos, após a conversão da Igreja em Mesquita. Estes mosaicos só foram descobertos na década de 1930 e passam por processo de restauração.
No passeio pela nave, vamos descobrindo objetos de grande valor, como este jarro de mármore do período helenístico, usado em ocasiões especiais para distribuição de água. A peça foi trazida da antiga cidade de Pérgamo pelo Sultão Murad III (séc. XVI).

O Sultão Mahmud I fazia suas leituras nesse local, onde ficava sua Biblioteca. 

Não é uma marca de tiro na parede, nada disso. Trata-se do Pilar Milagroso. Dizem que o Imperador Justiniano encostou a testa no pilar de pedra e foi curado na hora. E por isso, os visitantes também repetem o gesto. Eu não fiquei fora dessa.

O segundo andar da edificação guarda verdadeiras relíquias, além de presentear os visitantes (sobretudo os mais altos) com vistas maravilhosas.
Vista da nave a partir do segundo andar do edifício
Essa parede que divide uma das alas é toda feita em mármore.

Os Mosaicos
Virgem Maria, Jesus Cristo e João Batista
A Virgem segurando Cristo, ladeada pelo Imperador  João II Comneno e a Imperatriz Irene.
Mosaico com o Cristo Pantocrátor

E das janelas, a garantia dessas fotos maravilhosas. Como é bom ter 1,83 mts...heheh
Satisfação total!!!!

Muitas pessoas saem de Santa Sofia e não se dão conta do belíssimo mosaico de Constantino e Justiniano, que oferecem a cidade e a igreja ao Menino Jesus. Este mosaico fica no térreo, acima da porta que dá para o Vestíbulo dos Guerreiros. Fica a dica, e é valiosa!
Terminada a visita, pausa para compras e beber o maravilhoso suco de romã. 
Sem sombra de dúvidas, Hagia Sophia foi a visita do dia. E depois de tanta informação e de um grande mergulho na História, um almoço (que ficou sem registros - fome???), um descanso rápido no Hotel e um delicioso Cruzeiro de duas horas pelo Estreito de  Bósforo.
E sobre o Cruzeiro, o que dizer? As fotos mostram
E para fechar a noite, após o Cruzeiro,   fui jantar no Restaurante Mihri, um lugar despojado e tranquilo, com mesas ao ar livre. 
Neste restaurante há sempre música ao vivo e à noite, a grande atração é a apresentação de um Dervixe. E o que é um Dervixe? São homens que fazem parte de uma seita mística e que entram em transe através dos cantos e da sua dança. 

E a noite termina com essa bela imagem da Mesquita Azul, coberta pelas águas dançantes e coloridas do chafariz - nem precisava, mas é tudo diversão!

*****

A viagem continua com nossos vídeos, não deixem de assistir!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Diário da Viagem - Capítulo 1

A ideia inicial era escrever os posts durante a viagem, como se fosse um diário. Eu chegaria no hotel à noite e iria relatar as aventuras do dia. Deu certo? Claro que não! Imagina andar o dia inteiro, chegar depois das 23 horas e ainda ficar acordado até 1 ou 2 da madrugada escrevendo! Não poderia dar certo mesmo. No primeiro dia até tentei mas parei pela metade. Sem contar que as fotos, em alta resolução, "pesam" e demoram até serem publicadas. Em casa tenho um programa que reduz o tamanho da foto. Neste primeiro post da viagem, vocês poderão conferir, no texto abaixo, como seria esse "Diário da Viagem". Estou deixando o texto na íntegra, sem modificações. Apenas acrescentei mais fotos. Boa Viagem!!
*****
Istanbul, 19 de agosto de 2014


Hoje é terça-feira, são 22h15. Estou em Istanbul, instalado num  pequeno quarto do Hotel Kupeli, e a ficha ainda não caiu. As semanas que antecederam a viagem foram tensas e intensas, muito trabalho e assuntos diversos para resolver. No final, tudo deu certo.
A viagem do Rio até Istanbul foi tranquila, sem sobressaltos, salvo o episódio "mala retida em Paris". Espero que cheguem amanhã pela manhã. Mas, como não sou marinheiro de primeira viagem,  tenho roupa para passar uma semana, que veio na mala de mão.
Decidi fazer este diário em tempo real e que começará a ser publicado a partir do dia 28 de setembro. E isso me poupará o tempo de fazer vários posts na volta.
Espero que dê certo. A proposta é contar meu dia a dia nessa viagem pela Turquia e pela França. Apertem os cintos e vamos embarcar!
 A viagem de Paris até Istambul durou aproximadamente 3h30, do alto já sentia o astral da cidade.




Enfim, em solo turco. O chato de as malas não terem chegado é o tempo que se perde. O guia que me aguardava já estava cansado de tanto esperar. Aliás, quando saí do aeroporto era um mar de guias com placas diversas aguardando passageiros. Sensação de déjà vu total, este é o meu trabalho e me coloquei no lugar deles.

Parece meio bobo, mas essa imagem de táxis amarelos me impressionou...talvez tenha sido a conversa dos taxistas e dos passageiros, aquela língua incompreensível, mas ao mesmo tempo familiar.
Mudança de papéis, agora turista, dentro da van que me trouxe até o Hotel Kupeli na Cidade Velha (Sultanahmet). É bom deixar de ser guia para ser guiado. No trajeto Aeroporto/Hotel a paisagem é muito bonita.
E o passeio pela história já começa com esta maravilha da foto acima: as muralhas de Constantino.
Os meus olhos não estavam acreditando nas coisas que estava vendo. Quando nos aproximamos do hotel, entramos numas ruas com muitas lojas de tapetes, vendedores de frutas puxando carrinhos, uma certa confusão...só ficou o registro na cabeça, pois nem dava para fotografar. E enfim, o Hotel Kupeli, onde fui recebido com o largo sorriso do Özgur, o recepcionista. 

E subi para conhecer o apto 104, como já disse, é minúsculo, porém silencioso. Özgur prometeu outro quarto maior daqui a dois dias ou antes. 

Instalado, banho tomado, vamos sair!
Por conta das malas que não chegaram, perdi pelo menos 1 hora para resolver a questão... mas isso não é problema. Não considerei o dia de hoje no roteiro. Dediquei o final da tarde para reconhecimento da região e localização dos principais pontos de interesse da Cidade Velha.
Saí do Hotel e entrei na primeira Mesquita que encontrei. Um lugar tranquilo, de muita paz.
 São mais de 2000 Mesquitas...
Na parte externa dessa mesquita bicas e banquinhos.... purificação?

Uma das portas do Grand Bazaar ... e que bom que estava fechado. Em menos de meia-hora, fui parado por dezenas de comerciantes, cujas lojas ficam fora do Grand Bazaar

 Quando vi esta edificação de longe, pensei ser mais uma Mesquita... mas

Trata-se do Túmulo de Mahmud II. Entrei e visitei este Cemitério que não parece um cemitério...


E a noite começou a cair já passava das 20h00 e procurei um lugar para jantar, estava cansado..

Nas ruas o assédio é grande, os garçons te buscam na esquina e mostram cardápios e vão te seduzindo... e acabei parando neste restaurante. 
Esses tomatinhos inocentes estavam temperadíssimos, mas muito gostoso e o pão era uma maravilha. O prato principal chegou, um espetinho de carneiro muito bom. Tão gostoso que esqueci de fotografar..

E ao final, é costume, é tradição, o Çayi (chá)
A sobremesa eu deixei para escolher numa das mil e uma lojas de delícias turcas...estou perdido. Segurei a onda e comi tâmaras recheadas com nozes...
Saí do paraíso dos doces e caminhei um pouco mais acompanhando o movimento que era intenso...e descobri uma bela praça com belas edificações e que vou explorar amanhã...já passa da meia-noite e eu ainda estou escrevendo...será que amanhã vou conseguir? 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Viajando com Jorge Fortunato

Viajar é um dos maiores prazeres desta vida e, por isso, decidi reunir todas as postagens sobre viagens que estavam no "Acabou o Caviar?", num blog exclusivo. Agora vocês estarão "Viajando com Jorge Fortunato" e descobrindo novos lugares, novos roteiros e sabendo tudo sobre viagens e destinos interessantes. A partir de amanhã o primeiro post da viagem 2014! Conto com vocês!!!!

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