sábado, 1 de maio de 2010

Meu primeiro de Maio em Paris

exatamente um ano estava em Paris no feriado do dia primeiro de maio. Existe lugar melhor para festejar o dia do trabalhador? Certamente não há, e o primeiro de maio de 2009 foi um dos melhores que já passei na vida. Ano passado o mundo ainda estava às voltas com os efeitos da crise financeira de 2008 e que , infelizmente, tem efeitos até os dias atuais.`Por conta disso o primeiro de maio de 2009 ia ser diferente e com muita manifestação. Por sinal, manifestação na França é a segunda palavra que um francês aprende depois de "papa" e "maman". Sempre há uma "manif" em algum lugar de Paris ou da França. O povo francês adora protestar, ir às ruas e manifestar sua indignação, e sempre há um bom motivo para isso. Com muitos sem teto, desempregados, imigrantes em situação ilegal estava armado o palco para as longas passeatas dos diversos grupos e mais 8 sindicatos.

Este é o Boulevard Saint Michel. Estava hospedado nessa rua no Hotel de Suez. Aparentemente tudo tranquilo. Eram 07h30 da manhã. Mas os organizadores acordaram bem cedo para espalhar diversos cartazes...

Existe uma bela tradição na França iniciada por Charles IX em 1561: oferecer um ramo de lírio do vale como sinal de boa sorte. Esta tradição antiga, atravessou os séculos, mas houve uma pequena alteração. No início do século XX era comum em toda França e, especialmente , na île de France, ir às florestas e colher lírios para vender nas ruas, sem precisar pagar os impostos. era um costume pagão celebrar a chegada da primavera e oferecer esses ramos de lírio do campo aos familiares e amigos e colegas de trabalho como sinal de amizade. O lírio do campo simboliza o retorno da alegria.

Na Paris do século XXI o lírio do campo foi substituído pelo Muguet (tão bonito quanto o lírio). E a tradição permanece. Em 2009 o prefeito de Paris proibiu a venda dos muguets pelos camelôs. Apenas os floristas poderiam vendê-los. Mas parece que a ordem não foi cumprida... muitos camelôs vendiam a flor pelas ruas da cidade. E para não passar em branco...

comprei o meu ramo de Muguet numa barraquinha improvisada por uns estudantes que vendiam cada raminho por apenas 1 Euro. Sinal de felicidade e sorte garantidos para o ano todo!
Tradições à parte, as manifestações tomaram conta das ruas próximas ao Boulevard Saint Michel. Cada um do seu jeito e no seu estilo levou o seu protesto às ruas...

Olha o pessoal da Air France aí gente...

Apesar de todo o tumulto e muita gente nas ruas, não vi nenhuma confusão, tudo transcorreu muito bem. Era meu último dia na cidade luz e foi bem divertido. O único "senão" foi o fato de ter que caminhar muito até o automóvel que me levaria ao Aeroporto Charles de Gaulle que, por causa das manfiestações, não conseguiu entrar no Boulevard Saint Michel...mas que diferença isso iria fazer? Caminhei com a mochila (pesaada) nas costas. As malas ficaram com o motorista (coitado - pesavam toneladas!). Afinal, Paris é Paris mesmo quando temos esses pequenos transtornos...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Saudades de Rennes e das Galettes

alguns dias a Lina, do Blog Conexão Paris, publicou um post sobre uma "Crêpe Party", ou seja, uma happy hour com crepes. Este tipo de evento, podemos chamar assim, faz parte do estilo de vida francês. e vamos combinar, o clima favorece. Vendo as fotos, lendo o texto, lembrei da minha viagem a Rennes em 2005.
Rennes fica a duas horas de TGV de Paris e é a cidade mais importante da Bretagne. Mas não vou cansar vocês com dados geográficos ou estatísticos. Quero falar das Galettes e de Rennes, cidade natal do meu amigo Bernard Seignoux, ex-diretor da Alliance Française - Maison. Faz tempo...
Rennes é uma cidade pequena, mas tem os seus encantos, um deles é a culinária e as suas famosas crêpes e galettes. Sem falar na Sidra. Isto mesmo, a Sidra! Ótima para acompanhar crêpes e galettes.
Já havia visitado Rennes em outras ocaisões, mas foi em 2005 que descobri uma pequena Creperia, com decoração simples, mas muito aconchegante, cujo nome, infelizmente, não lembro mais. Até procurei o cartão nas minhas caixas, mas não encontrei. Se um dia encontrar, volto aqui e deixo o registro. Enfim, foi a melhor galette que já havia comido na vida. Feita com o melhor trigo sarraceno, macia, leve. Pedi a "Complète" - ovo, presunto e queijo. É um clássico. Pedi 1/2 pichet de Cidre et voilà! Que festa para o paladar. Dá para ver a minha satisfação na foto abaixo.
Cidra na mão e a maravilhosa Galette Complète
Só de rever a foto sinto o perfume e o sabor dessa maravilha. A Sidra gelada foi a combinação perfeita. Tenho que descobrir o nome do restaurante. Será que o Bernard poderia investigar? Às vezes me pergunto, ainda existe? Espero que sim! Ainda lembro da garçonete e da sua simpatia quando pedi para fazer esta foto. Foi uma noite muito boa. Estava sozinho, mas muito feliz. Como o restaurante não estava muito cheio - acho que era domingo, início da noite (na verdade ainda estava claro, por conta do horário de verão) - iniciei um papo com com a garçonete e conversamos bastante.
Rennes é assim, a gente entra num café ou num bar e, de repente, se iniciar uma conversa não para mais. Eu lembro de ter conhecido muita gente assim. Ficava no balcão, pedia um Kir e logo em seguida chegava alguém, e o papo era questão de segundos.

Esta é a fachada do The Britannia. Ficava horas neste bar bebendo Kir e conversando com o proprietário (um inglês). Sempre aparecia alguém para participar da conversa. O dono era tão gente boa que sempre oferecia mais um drink por conta da casa. Aí eu ia ficando...rs

Pena que perdi as fotos dessa viagem - uma das melhores que fiz. Ainda tenho um DVD, mas não consigo copiar e nem tenho como publicar (e seria complicado explicar aqui). As fotos estão lindas. Por isso, de vez em quando, revejo o DVD com mais de uma hora de imagens. E falei tudo isso por causa das Galettes...mas também é a saudade de Rennes e das minhas tardes/noites nos bares e cafés.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Paris será sempre Paris



Paris é uma daquelas cidades que você se apaixona à primeira vista. E foi exatamente isso que aconteceu comigo. E a cada vez que retorno à cidade, a emoção é a mesma.
Quando me perguntam por que eu sempre incluo Paris nos meus roteiros, uma vez que já conheço a cidade, eu respondo: Paris será sempre Paris, não tem explicação.



Avenida Champs Elysées, uma das maiores avenidas do mundo e a mais elegante, com certeza. Bem lá ao fundo o Arco do Triunfo.


Mais uma vez me hospedei no Hotel de Suez e fiquei num apartamento de frente para o Boulevard Saint Michel. Esse hotel é super bem localizado, está perto de tudo, ou como diz uma amiga, "está na zona do agrião". Dali é possível ir a pé até ao Museu do Louvre, à Notre Dame, ao Jardin de Luxembourg, Museu de Clunny, Conciergerie...



Na casa dos meus amigos Hichem e Virginie, que moram em Saint Maurice, bem pertinho de Paris. Conheci este casal em Jul/2005 e ficamos muito amigos. A família está crescendo, Kaïz (no colo de HicheM) já vai fazer 2 anos e Naël (com Virginie) havia nascido há 10 dias. São amigos queridos e me recebem com muito carinho quando vou à Paris.



120 anos e com corpinho de 20! A Torre Eiffel é o monumento mais visitado de Paris. As filas são sempre enormes. Já fui até o topo e a vista é belíssima. Lembro que pela primeira vez senti medo, são mais de 300 metros de altura.



Uma das exposições que estão em cartaz nas Galeries Nationales do Grand Palais.



Cena rara: a Pont des Arts vazia. Acho que tirei essa foto na parte da manhã. Na primavera e no verão a Pont des Arts é um local concorrido para piqueniques e encontros. Fica cheia de gente. É um clima bem agradável, todo mundo batendo papo, ouvindo música e bebendo vinho... muito legal. Ao fundo está o Museu do Louvre.



Ao fundo está a Conciergerie, para quem não sabe, este foi o endereço de Maria Antonieta e outros nobres no período da Revolução. Há alguns anos fiz uma visita guiada e o clima é bem estranho, em algumas salas chegamos a imaginar a dor de quem ficou preso ali. Foi a época do terror...



Pausa para comer uma tortinha de limão, que estava muito gostosa. Eu "chuto o balde" e o que tiver na frente e ataco todos os doces.


O sol jogando seus últimos raios no rio Sena, por volta de 20hs. Paris cada vez mais bela. Não tem como não se apaixonar e admirar. E é por isso tudo e muito mais que eu sempre retornarei à cidade luz...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Maravilhas da Bretagne

De todas as regiões francesas, tenho carinho especial pela Bretagne. Situada ao norte da França, a Bretagne é muito agradável, cheia de lendas e mistérios.É na Bretagne que está o "Vale sem retorno" das lendas do Rei Arthur, assim como a floresta da Fada Morgana. É uma região riquíssima e muito agradável. Desde 2002, sempre que posso, vou à Bretagne visitar amigos que moram em Rennes e Saint Brieuc. Mas, este ano só pude ir à Saint Brieuc, onde moram Didier e Micheline, dois queridos amigos de longa data. Esses amigos bretões são especiais! Eles me deixam super à vontade e recebem muito bem.





Na entrada da casa de Didier e Micheline, no centro de Saint Brieuc.





Faz parte da cultura francesa: toda família tem um cachorro. Essa figurinha aí da foto é o Snoopy - o cachorro mais educado do mundo. Nem late. Só quer brincar e receber carinhos. Quem me conhece sabe que não sou chegado nesses peludos, mas Snoopy é diferente mesmo. Calmo, tranquilo e muito companheiro. Difícil não gostar.





Pelas ruas do Centro de Saint Brieuc ainda encontramos casas em estilo "colombage" com madeiras coloridas. As ruas são tranquilas e a população é muito simpática e educada.





Cap Fréhel



Didier e Micheline têm o maior prazer de mostrar as belezas da Bretagne aos amigos. Desta vez, fomos ao Cap Fréhel, um dos muitos lugares bonitos da Côte d'Armor. O Cap Fréhel é dominado pelo mar azul e cercado de falésias que alcançam até 70 metros de altura. É um conjunto muito bonito que ganha mais charme com os dois belíssimos faróis. Um antigo do tempo de Luís XIV e outro do século XX, construído em 1950.





Com Didier e Micheline: café para aquecer a tarde fria de primavera.







Este Farol foi construído em 1950, possui 103m de altura. Subindo os 145 degraus podemos avistar, quando o tempo está bom, as ilhas inglesas. A Inglaterra está ali pertinho....





O mar azul e as falésias do Cap Fréhel - força total da natureza.







O antigo farol ou Tour Vauban, construído nos tempos de Luís XIV, visto do alto do novo Farol.







Os dois faróis do Cap Fréhel







De braços abertos para a Bretagne e torcendo para não escorregar... já pensou???



Cité de la voile Éric Tabarly

(Cidade da vela Éric Tabarly)



A Cité de la voile Éric Tabarly é um espaço dedicado à memória do navegador francês Éric Tabarly, morto em 1998. Situado na cidade de Lorient mais ao sul da Bretagne, este espaço é um complexo de 1500m2, com salas de exposição, auditório, restaurante, livraria, etc. Uma festa para os amantes do mar e dos esportes náuticos. É um daqueles programas de domingo que você faz com toda a sua família. Há diversas atrações como uma exposição sobre o Éric Tabarly , apresentação de filmes, simulações de regatas, etc e etc.





Com Didier, Micheline e David em frente ao Pen Duick II de Éric Tabarly. Ao fundo o grande complexo da Cité de la voile.







Nem preciso dizer que nos divertimos muito visitando a Cité de la Voile Éric Tabarly. Foi um ótimo programa para o domingão.



Voltando para Paris



Foi um final de semana muito bom. Não existe nada melhor do que estar entre amigos, principalmente, se estes amigos são Didier e Micheline, sinônimo de gentileza. Foram momentos divertidos e muito agradáveis. Horas de conversa regadas a vinho e sidra (bebida oficial da Bretagne). Espero, um dia, poder retribuir todo carinho e atenção que estes amigos sempre me dispensam.





A hora da partida é um daqueles momentos que emocionam, mas apenas dissemos: à bientôt (até breve).

Micheline me levou até a Gare de Saint-Brieuc para pegar o TGV de volta à Paris. Chegava a parte final da viagem e só restavam 5 dias para curtir....









sábado, 27 de junho de 2009

Que lugar para passar o tempo...

Quando estou em Paris gosto de tudo, até de descer e subir as escadas do metrô carregando peso. O Metrô de Paris está fazendo muitas obras em várias estações, e algumas já contam com escadas rolantes. Mas, a maioria não tem e aí é subir e descer carregando as malas. Agora vocês entendem porque eles não engordam. Cheguei na Gare de Montparnasse com uma dúvida cruel. Será que ainda tem bagageiro? Eram 10h30, meu trem para Saint Brieuc só ia partir às 16h05 e nem pensar em ficar esse tempo todo preso na Estação. Vocês sabem, depois do 11 de setembro o mundo mudou. E com essa história de bombas, deixar malas em estações e aeroportos ficou bem complicado. Mas felizmente, existe um ótimo local para guarda das malas na Gare de Montparnasse. O esquema é de Aeroporto. Malas passam pelo Raio-X e você passa pelo detector de metais. Depois é só escolher um armário e pronto. Tudo é muito prático, e se você não tiver moedas, não se preocupe, uma máquina troca as notas em moedas. Tudo muito fácil e rápido. As malas podem ficar guardadas até 72 horas. Eu só precisava de mais ou menos 6 horas, pois deveria retornar por volta de 15h30. Livre das malas só me restava uma coisa: flanar!


Comecei meu passeio pelo Ópera, pois tinha que ir naquela região para trocar meus travellers . O dia estava lindo, sol e um pouco de frio. Gosto muito dessa região. O Ópera de Paris é muito bonito e serviu de modelo para construção do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Ao lado do Ópera está o badalado Café de la Paix . Vale a pena sentar numa das mesas, pedir algo para beber e deixar a vida passar...


Do Ópera segui a pé até o Jardin des Tuilleries onde está esse belíssimo Arco du Carroussel du Louvre. Menos imponente do que o Arco do Triunfo que fica na Champs Elysées, mas não menos bonito.


O bom de andar em Paris é que para todos os lados que você olha tem alguma coisa bonita, como a Catedral de Notre Dame, por exemplo.

O tempo passou rápido e quando vi já estava na hora de ir para a Estação...

... tomar o trem para a Bretagne visitar meus amigos que moram em Saint Brieuc . Essa cidade fica a 450 Km de Paris. A viagem vai durar apenas 02h52, pois vai ser de TGV, um trem que "voa" a 300 km por hora. Será que um dia o "trem bala" chega ao Brasil?

De Brugge à Paris


Uma das coisas que mais gosto quando vou à Europa é poder viajar de trem. Embora não seja tão mais barato, continua valendo a pena. A viagem é gostosa, a paisagem é sempre bonita. E vamos combinar, é um charme. A viagem de Brugge até Paris durou 2 horas e 39 minutos, isso mesmo. Saiu pontualmente de Brugge às 06h26 e chegou às 09h05 na Gare du Nord em Paris. Custou 68 Euros. Caro. Mas devemos levar em conta que é uma viagem internacional (Belgica/França). É possível obter descontos se comprado com antecedência. O bom mesmo é comprar um passe. Nesta viagem conheci duas senhoras aqui do Rio que compraram passe e pagram baratíssimo. Fica a dica para todos nós. Quando retornei ao Brasil fui conferir e vi qu vale a pena. Um exemplo: um passe para 2 pessas viajando juntas pelo Benelux (Holanda/Bélgica/Luxemburgo), sai por volta de 140 Euros!
Caro ou barato, chegar à Paris não tem preço! É sempre uma emoção diferente.



Na Gare du Nord, uma das muitas e belas estações de trem de Paris. Da Gare du Nord fui para a Gare de Montparnasse, onde iria pegar outro trem às 16h05 para visitar meus amigos que moram em Saint Brieuc na região da Bretagne. E lá fui eu, pegar metrô cheio e andar quilômetros na Montparnasse. A vida é dura...










sexta-feira, 26 de junho de 2009

O porta -jóias da Borgonha


Talvez alguém já tenha dito isso, mas não é demais repetir: Brugge é um porta-jóias. Uma cidade que encanta logo no primeiro olhar. São ruas estreitas, com casinhas de tijolos aparentes. Construções medievais. Lindas igrejas e ótimos museus. Além disso tudo, Brugge tem um ar romântico reforçado pelos belos canais. Vale a pena conhecer essa cidade e passar pelo menos 2 noites, com tempo para visitar os museus e as igrejas, provar da sua excelente cozinha e passear por suas ruas. Quem vai à Europa deve incluí-la no roteiro. Só para ter uma ideia, a viagem de trem de Paris até Brugge dura 3 horas e quem vem de Amsterdam não vai gastar mais do que 3 horas e meia. Gostei de tudo que vi e não vejo a hora de voltar....



A temporada na Bélgica foi muito boa, aliás como toda a viagem. Devo confessar que está sendo um prazer redobrado contar a viagem para vocês. Cada post eu volto a viajar, reviver a emoção. Então preparem-se vamos para a França!

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