quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Revisitando os clássicos

E chegou o dia 31 de dezembro de 2015. O último dia de um ano bom. Estar em Paris no dia 31 de dezembro para mais um Réveillon, posso dizer, era inimaginável. Paris ainda sofria com o terrível  atentado ao Bataclan - ocorrido em novembro. Lembro que na época quase desisti da viagem, mas não poderia me deixar vencer pelo medo e parti para viver mais esta emoção.
O dia amanheceu lindo, céu azul, sol e muito frio.  
 Rue Saint-Antoine, por volta de 08h30 da manhã
  
Neste dia não programei qualquer visita. Queria aproveitar o último dia do ano fazendo o que mais gosto: flanando sem rumo, ou melhor, quase sem rumo. Na verdade, criei o tour "revisitando os clássicos". São aqueles lugares que marcam, que trazem boas lembranças, são inesquecíveis, são clássicos. Decidi iniciar pela Place des Vosges, uma das mais bonitas de Paris, cercada por esse belo conjunto de prédios. Ali está a Casa de Victor Hugo, o Hotel Pavillon de la Reine e ainda galerias de arte, restaurantes e cafés. 
O Studio que alugo fica a 5 minutos da Place des Vosges, lugar ideal para ver o tempo passar. Coisa rara é ver essa praça vazia. Talvez o horário e o frio explique.
Clicando nas fotos panorâmicas acima, vocês poderão me ver duplicado. Como assim???
Da Place des Vosges, retornei à  rue Saint-Antoine, peguei o ônibus 69 e desci na Pont des Arts, agora livre dos malditos cadeados cafonas.
 Dá gosto passear aqui e ver a ponte assim. Ao fundo, o Musée du Louvre.
E uma pausa para a foto clássica. A Pont des Arts é um daqueles endereços certos para reuniões no final do dia, principalmente na primavera e no outono. Já fiz muitos piqueniques aqui.  
 Da ponte, avistamos o Square du Vert Galant, uma micro ilha no Sena.
 Um outro recanto de tranquilidade, principalmente no inverno. 


E de clássico em clássico, uma caminhada sem pressa me conduziu até a Pont Alexandre III, a minha preferida.
Considero esta ponte um clássico, por conta do charme das esculturas, dos candelabros, das calçadas espaçosas e pelo fato de estar a poucos metros dos imperdíveis Musée des Invalides, Petit e Grand Palais e da movimentada Champs-Elysées.



O último clássico visitado foi o Museu Rodin, decidido no último instante. Não queria visitar o museu, mas o seu belo jardim que guarda, óbvio, belas esculturas do artista. Havia anos que não entrava ali. 
Você pode comprar ticket para visitar só o jardim. O passeio é maravilhoso! 
O prédio da Rue de Varenne foi construído no século XVIII e foi residência de nobres. Na primeira década do  século XX, o imponente edifício teve como locatário Rodin, que ali instala seu atelier. Em 1919, o Musée Rodin é inaugurado.


No meio de tantas obras espalhadas pelo Jardim, chama atenção o conjunto "Monumento aos burgueses de Calais"


 A Porta do Inferno - esta é uma obra monumental, cheia de detalhes.

 As três sombras

E assim finalizei meu tour "Clássico". Desci a Rue de Varenne observando os prédios. Tudo estava tão tranquilo que nem parecia 31 de dezembro.
  


Quase 15hs e parei no Café Varenne para o almoço. Um delicioso Confit de Canard. E depois do almoço, fui caminhando pelo 7éme e agradecendo por estar ali...

***

Anote:
Musée Rodin
79, Rue de Varenne

Café Varenne
36, Rue de Varenne

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

E se o restaurante escolhido estiver fechado...

Viajar em época de festas de final de ano tem suas vantagens e algumas desvantagens, principalmente numa cidade como Paris, onde alguns restaurantes fecham neste período e, também, durante o verão, nos meses de julho e agosto. E digo isso tudo porque na noite do dia 30, após um dia intenso de atividades culturais, resolvi sair do  Marais e ir jantar no restaurante Boissonnerie, indicação da minha amiga Lúcia Carneiro. 
Como vocês podem observar na foto acima, o restaurante estava fechado para recesso de final de ano e só ia abrir em Janeiro. Já que estava no 6ème,  resolvi andar um pouco mais e ir ao Alcazar que fica na Rue Mazarine e, adivinhe: fechado! O motivo era a festa do dia 31. Aliás, meu primeiro Réveillon em Paris foi nesse restaurante e quem não viu pode conferir aqui.
Procurar um restaurante numa cidade como Paris não é tarefa difícil, pois há muitos. Porém, nem sempre o primeiro que você entra é bom. Mas, na mesma Rue Mazarine, avistei do outro lado da calçada um bistrot simpático e que me despertou curiosidade: Mangetout. Atravessei a rua, me aproximei e vi que estava lotado. O maître perguntou se eu havia feito reserva, disse que não e que fui ao ao restaurante porque um amigo havia comentado e já sabia que corria o risco de não encontrar lugar, mas como era meu último dia na cidade, resolvi arriscar. Carioca sendo carioca e dando um jeitinho para conseguir entrar sem reserva... e consegui!
Fachada do restaurante (foto feita na saída)

Uma coisa é certa: restaurante cheio é sinal de que é bom. Mangetout é aquele bistrot francês que a gente ama encontrar. O salão é pequeno e as mesas próximas, mas não coladas e o ambiente é acolhedor. A cozinha é comandada pelo chef Alain Dutournier, que promete "transparência no prato!"

Você pode escolher um dos pratos do cardápio ou o Menu a preço fixo, com entrada + prato + sobremesa, que foi a minha opção.
 Entrada: Velouté de châtaignes aux cèpes (creme de castanhas com aipo).
 Bon appétit!

Prato principal: Parmentier de lièvre forestière (minha tradução livre: "escondidinho de lebre à moda do campo").

Sobremesa: Moscovite aux marrons confits (tipo uma panacota com creme de castanhas). 
Tudo estava muito bom! Delicioso. E com aquele frio,  as minhas escolhas foram perfeitas. A entrada deu para aquecer até a alma! Confesso que nunca havia comido lebre, mas amei! E a sobremesa fechou com chave de ouro!

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Anote:

Mangetout
82, rue Mazarine 

Alcazar
62, rue Mazarine

Boissonnerie
69, rue de Seine 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Biblioteca Nacional da França

A exposição "Osiris" saciou a alma, mas depois de quase três horas de visita chegava o momento de alimentar o corpo. Fiz uma caminhada até a Place de la Bastille para almoçar no Léon de Bruxelles. Aproveitando o pouco movimento dos carros fiz a foto abaixo.

Opera Bastille

Enquanto apreciava essas moules (mexilhões) e as batatas crocantes, começava a pensar na programação da tarde, sempre em aberto. Havia organizado bem as visitas pela manhã, mas deixava as tardes livres. E, de repente, lembrei que não seria má ideia visitar, finalmente, a Biblioteca François Mitterrand. 
Como era de se imaginar, o conjunto que abriga a Biblioteca é monumental, são quatro prédios em formato de livro aberto e estão divididos em Torre das Leis, Torre dos Números, Torre do Tempo e Torre das Letras.

Fotografar internamente é proibido, mas consegui, discretamente fazer algumas fotos. O que me chamou atenção foi o fato de a Biblioteca estar lotada em pleno 30 de dezembro. Mas, logo lembrei que era o período escolar e a mentalidade é outra. Aqui nos trópicos é verão e o povo só quer mesmo é pensar na festa do dia 31.
Certamente há visitas guiadas, mas não me informei a respeito, só queria entrar andar naquele ambiente das letras.
À esquerda uma das muitas salas de leitura - lotadas. No corredor, algumas salas de exposições. 
Na época uma exposição com cenários e figurinos da Ópera de Paris.

 

Acho que entrei em uma das Torres mais interessantes, pois tive a sorte de encontrar em uma sala estes dois globos em exposição. Trata-se dos Globos de Coronelli, que foram feitos entre 1681 e 1683 pelo cosmógrafo, nascido em Veneza,  Vincenzo Coronelli. Os Globos foram um presente para ninguém menos que Louis XIV -  o Rei Sol - ofertados pelo Cardeal d'Estrées.
Objetos de ciência e símbolo de poder, mostram uma representação sintética da Terra e do Céu. Fazem parte da coleção desde o século XVII.
O Globo Celeste apresenta todas as constelações conhecidas na época e posiciona os planetas, tal como estavam no dia do nascimento do Rei-sol, 5 de setembro de 1638. Confesso, não sabia da existência desses globos e aproveitando a sorte de não ter ninguém na sala, perpetuei a lembrança nesta foto e vivi meu "momento Rei-Sol".

 
Maquete do Conjunto Monumental da Biblioteca


Na saída a elegante Passarela Simone de Beauvoir 
Solzinho de inverno iluminando o fim de tarde
Descendo a passarela temos o Parc de Bercy - enorme e com belas esculturas

 
O Sena e ao fundo a Ponte de Bercy por onde passa o metrô da linha 6.

Em um dia de muito calor esta é uma ótima opção: Piscina Josephine Baker, instalada sobre o Sena. 
E assim terminei o dia 30 com um passeio inusitado conhecendo a Biblioteca François Mitterrand e flanando em Bercy, um bairro moderno, longe do centro das grandes atrações turísticas, mas com boas ofertas de diversão. Sem contar a beleza da Ponte de Bercy e o charme que deve ser, numa estação mais quente, curtir um banho de piscina em pleno Sena. 

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