Uma das coisas que mais aprendi nesta viagem foi ser paciente e saber esperar, pois tudo tem solução. E por que estou falando isso? A chuva. é a razão da minha paciência. Ou melhor, saber lidar com a chuva em viagens. Assim como faz sol e dias lindos; também chove, o céu fica cinza e você tem que prosseguir. E que bom que é chuva, poderia ser um terremoto e aí nada aconteceria mesmo. Quando saí da Via Veneto, avistei o Palazzo Barberini. Com a ameaça da chuva, a visita seria ideal. Atravessei a rua e fui abordado por um rapaz que oferecia passeios turísticos em ônibus de 2 andares. Ele me mostrou o roteiro e vi que tinha uma série de lugares que queria ir, estava tão cansando e ainda com a ameaça de chuva. Decidi que ia ficar por conta do ônibus e faria a vista ao Palazzo Barberini mais tarde, uma vez que ali era o ponto de partida.
E comecei visitando a Basílica de Santa Maria Maggiore. Esta igreja tem duas fachadas. Essa da foto é a da entrada e a outra vocês verão daqui a pouco. Reparem como o céu está carregado.
Com o tempo fechado, o interior das igrejas fica mal iluminado e como eu detesto ler manual de instrução, não conseguia regular a máquina fotográfica. Algumas fotos estarão muito escuras, outras claras demais. Ah e tem um agravante: os óculos. Fiz algumas fotos sem usar óculos e o resultado foi catastrófico. Ignorando tudo isso, vamos continuar. O interior dessa igreja é mesmo belo. E qual igreja italiana não tem o seu interior belo? Saí dali encantado e fui procurar a Chiesa de San Pietro in Vincoli, onde está a famosa escultura de Michelangelo - o Moisés. Com as minhas aulas de italiano via "Passione" (a novela, lembram). Fui perguntando: "Dove stai la chiesa San Pietro in Vincoli? ...oh, grazzi mille. Buona giornata." E caprichava no sotaque! Quem via até pensava que eu falava fluentemente. Apesar das explicações cheguei até o final da rua indicada e não encontrei a Igreja. Avistei um casal com um mapa na mão e me aproximei. Aí tive que perguntar mesmo em inglês se eles sabiam onde ficava a Igreja. O simpático casal era espanhol e também procura San Pietro. Sugeri que procurássemos juntos e já nos tornamos velhos amigos. Pena que não fotografamos juntos. Começamos a procurar e um gari nos passou a informação e finalmente conseguimos chegar.
E eis o famoso Moisés de Michelangelo. Fiz dezenas de fotos e essa foi a melhor. Esse conjunto todo é o Mausoléu do Papa Giulio II. Michelangelo iniciou o trabalho em 1505 e só terminou em 1545! 40 anos. Soube que após terminar o Moisés, Michelangelo disse que a escultura só faltava falar de tao perfeita. Pegou um martelo e bateu no joelho da imagem dizendo: parla! Essa foi a história que uma senhora que trabalha na Accademia em Firenze me contou. Será isso mesmo? Sei pouquíssimo sobre Michelangelo e fica o convite aberto para aqueles que souberem um pouco mais, confirmarem ou não este "causo".
Depois de ficar com o queixo caído e emocionado diante das barbas de Moisés, prossegui minha visita pela igreja. Tem sempre um anjo no meu caminho.E aqui as correntes que prenderam o Apóstolo Pedro.
Me despedi de Javier e Rachel e voltei para a Basílica de Santa Marai Maggiore para esperar o próximo Ônibus que me levaria à Bocca della Veritá.Na viagem de 2010 eu não consegui fazer essa visita e estava mega curioso para ver. A Bocca della Veritá funcionava como um oráculo na Idade Média e também como juiz. Se o culpado estivesse mentindo, poderia ter a mão decepada. Como vocês podem observar a fila não era pequena. Todos querendo testar. Não pense que tirar a foto colocando a mão dentro da Bocca sairá de graça. Você paga a simbólica contribuição de 0,50 e só pode fazer uma foto. Eu até que consegui uma proeza, fiz 2 fotos, uma sem ninguém e depois pedi para a moça que estava atrás de mim na fila me fotografar.
Bocca: "Jura falar somente a verdade?"
Jorge: "Juro. Roma é a cidade maravilhosa!" Bocca: "Concordo, vá em paz e divirta-se!" A Bocca della Veritá fica na entrada da Basílica de Santa Maria in Cosmedin. Após fazer a sua foto você entra e visita a Igreja que é bem simples.
Durante a minha visita à Bocca della Veritá e a à Igreja caiu um temporal que durou uns 15 minutos. Foi o tempo necessário para descansar um pouco. A chuva passou e voltei para o ponto no Circo Massimo para pegar o próximo ônibus. Esse sistema é muito prático, pois a cada 20 minutos passa um ônibus e te deixa em outro ponto. E você pode usar o ônibus o dia inteiro até o último horário. como estava mega cansado do dia anterior, foi excelente.
Retrnei ao Palazzo Barberini para fazer a visita, mas ainda bem que parei para almoçar, pois adivinhem? Chuva, muita chuva em Roma. Eu sequinho dentro do restaurante. Sem fotos. A fome era maior. Mas comi uma massa com molho de tomate, nada demais. E depois da tempestade... a bonanza. A chuva parou, limpou o céu e tudo ficou azul. Esperei mais uns 10 minutos(a tal da paciência de viajar com chuva) e segui para o Palazzo que fica na Via delle Quattro Fontane, 13.
Sobre o Palazzo Barberini um pouco de informação via Wikipedia: "O palácio foi construído entre 1625 e 1633, ampliando na forma do primeiro barroco o edifício precedente, pertencente à família Sforza, o que criou uma estrutura caracterizada por um espectacular átrio em ninfeo, diafragma entre o alpendre de entrada e o jardim desenvolvido nas traseiras. O autor do projecto foi o ancião Carlo Maderno, coadjuvado por Francesco Borromini, sendo a obra terminada por Bernini.
Actualmente, o Palazzo Barberini acolhe parte da importante Galleria Nazionale d'Arte Antica (Galeria Nacional de Arte Antiga)."
Só a entrada com essas esculturas é o máximo e já dá uma ideia do que você vai encontrar lá dentro.
Fachada do Palazzo.
Uma das entradas
E sempre uma bela escultura. E é tudo que se pode fotografar. E até que eu achei bom. quando você quer fotografar os quadros e tudo o mais, você acaba perdendo a emoção da contemplação, pois está preocupado se a foto ficou boa ou não. O que mais me surpreendeu foi a quantidade de visitantes: ninguém, quando comparamos com a Capela Sistina, por exemplo. Em todas as salas que visitei só uma ou duas pessoas. Nem preciso dizer que adorei. Nada como poder dialogar com as obras, sem a interferência dos diálogos em tom alto ou o empurra-empurra habitual dos grandes museus.
O acervo é maravilhoso, com obras de Andrea del Sarto, Bernini, Caravaggio, El Grecco, Cortonona, Rafaello, só para citar alguns. A cada sala uma nova descoberta. Além das obras, os afrescos de deixar você com torcicolo. Que tarde no Palazzo Barberini! E de tudo que eu vi nessa tarde, destaco dois momentos que me deixaram impressionado, bobo, bouche bée:
Giuditta e Olorfene - (Caravaggio, 1599)
Quando vi esse quadro eu fiquei imobilizado por alguns segundos, respiração presa. A expressão dos personagens que compõem a cena é impressionante. São tantos detalhes que poderia levar horas para falar. Voltei duas vezes para ver. Acho que não estava acreditando.
(clique na foto para ampliar)
E quando pensei que não iria me surpreender com mais nada, chego no Salone di Pietro da Cortona e vejo umas pessoas deitadas num sofá olhando pra cima. Quando olho me deparo com um dos mais belos afrescos que já vi, depois daqueles da Capela Sistina. Pietro da Cortona, pintor e arquiteto, realizou esta obra intitulada "O triunfo da divina providência" entre 1633 e 1639. Uma verdadeira jóia do Barroco. é uma obra monumental, visto o tamanho do salão. Também me joguei no sofá e fiquei um bom tempo tentando acreditar no que os meus olhos estavam contemplando.
Saí do Palazzo e fui dar uma volta pelo pequeno jardim. O sol fraco era um presente naquela tarde de pura arte.
Terminei a minha visita e saí nas nuvens. E me questionava: Por que um lugar desses estava tão vazio? Será que os turistas que visitam Roma desconhecem a importância desse local? Atenção: Palazzo Barberini é obrigatório!
Subi um pouco a Via delle Quattro Fontane para ver as quatro fontes. Gostei particularmente de duas, mas para fotografar é meio complicado. É uma encruzilhada com carros ido e vindo e o espaço é mínimo. Vale a visita. E o
Subi um pouco a Via delle Quattro Fontane para ver as quatro fontes. Gostei particularmente de duas, mas para fotografar é meio complicado. É uma encruzilhada com carros ido e vindo e o espaço é mínimo. Vale a visita. E o
E voltei ao ônibus para continuar minha vida de turista em tempo integral!
Do alto desses ônibus conseguimos fazer ótimas fotos. Eu fiz várias e eis uma pequena mostra.
Piazza della Repubblica
Palazzo Massimo - próximo a estação Termini. Se não estou enganado aqui fica um museu de esculturas. Não entrei, pois já estava fechado. e nesse dia não poderia ver mais nada. Minha alma estava tomada pelas belezas do Palazzo Barberini e toda Arte Antiga.
Lembram da Igreja de Santa Maria Maggiore. Aqui está a outra fachada que fica na parte de trás. Agora com direito a céu azul. Tudo no mesmo dia. Caprichos da natureza e da primavera romana.
Parada obrigatória para visitar a Chiesa de Santa Maria in Aracoeli. Em 2010 não tive oportunidade de visitar, mas apesar do horário que cheguei ainda estava aberta e é linda.Fica na colina do Campidoglio.
Desci as escadarias e passei pelo monumento que até hoje divide os romanos:
O Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II . Dali do alto você tem uma vista de 360º de Roma. E vai ficar para minha próxima visita.
E esse final de dia no Vaticano com a cúpula da Basílica de São Pedro ao fundo. Incrível começar o dia com céu cinzento, chuva e terminar assim. É como dizem, a cereja do bolo.
Depois desse périplo todo o que eu queria e precisava era deitar, descansar e dormir. Certo? Errado. Tomei um banho, massageei os pés e fui procurar uma Trattoria para o jantar. E encontrei a Trttoria Da Ugo al Gran Sasso (Via di Ripetta, 32). Jantei uma massa muito gostosa, tomei um vinho e pedi Tiramissu como sobremesa. Que sobremesa! O restaurante é pequeno, mesas próximas e fiquei tímido (logo eu) para fotografar. Ao meu lado estava um casal alemão. Quando chegou o Tiramissu o rapaz disse: "Oh it's delicious!" e foi o que bastou para começarmos um papo animado que se prolongou pela noite e terminou com um convite para um licor e resultou na foto abaixo (sem timidez).
Eu com Anne e Joachim, um casal muito simpático de Sttutgart. Primeira vez que eles visitam Roma e estavam, como todos ficam, maravilhados.
Depois do jantar caminhei tranquilamente sob a lua e o céu estrelado. Na Piazza del Popolo algumas pessoas passeavam.
E agora sim, pernas para o ar!











