segunda-feira, 14 de maio de 2012

Turista em tempo integral

Uma das coisas que mais aprendi nesta viagem foi ser paciente e  saber esperar, pois tudo tem solução. E por que estou falando isso? A chuva. é a razão da minha paciência. Ou melhor, saber lidar com a chuva em viagens. Assim como faz sol e dias lindos; também chove, o céu fica cinza e você tem que prosseguir. E que bom que é chuva, poderia ser um terremoto e aí nada aconteceria mesmo.  Quando saí da Via Veneto, avistei o Palazzo Barberini. Com a ameaça da chuva, a visita seria ideal. Atravessei a rua e fui abordado por um rapaz que oferecia passeios turísticos em ônibus de 2 andares. Ele me mostrou o roteiro e vi que tinha uma série de lugares que queria ir, estava tão cansando e ainda com a ameaça de chuva. Decidi que ia ficar por conta do ônibus e faria a vista ao Palazzo Barberini mais tarde, uma vez que ali era o ponto de partida. 

E comecei visitando a Basílica de Santa Maria Maggiore. Esta igreja tem duas fachadas. Essa da foto é a da entrada e a outra vocês verão daqui a pouco. Reparem como o céu está carregado.
Com o tempo fechado, o interior das igrejas fica mal iluminado e como eu detesto ler manual de instrução, não conseguia regular a máquina fotográfica. Algumas fotos estarão muito escuras, outras claras demais. Ah e tem um agravante: os óculos. Fiz algumas fotos sem usar óculos e o resultado foi catastrófico. Ignorando tudo isso, vamos continuar. O interior dessa igreja é mesmo belo. E qual igreja italiana não tem o seu interior belo? Saí dali encantado e fui procurar a Chiesa de San Pietro in Vincoli, onde está a famosa escultura de Michelangelo - o Moisés. Com as minhas aulas de italiano via "Passione" (a novela, lembram). Fui perguntando: "Dove stai la chiesa San Pietro in  Vincoli? ...oh, grazzi mille. Buona giornata." E caprichava no sotaque! Quem via até pensava que eu falava fluentemente. Apesar das explicações cheguei até o final da rua indicada e não encontrei  a Igreja. Avistei um casal com um mapa na mão e me aproximei. Aí  tive que perguntar mesmo em inglês se eles sabiam onde ficava a Igreja. O simpático casal era espanhol e também procura San Pietro. Sugeri que procurássemos juntos e já nos tornamos velhos amigos. Pena que não fotografamos juntos.  Começamos a procurar e um gari nos passou a informação e finalmente conseguimos chegar. 
E eis o famoso Moisés de Michelangelo. Fiz dezenas de fotos e essa foi a melhor. Esse conjunto todo é o Mausoléu do Papa Giulio II. Michelangelo iniciou o trabalho em 1505 e só terminou em 1545! 40 anos. Soube que após terminar o Moisés, Michelangelo disse que a escultura só faltava falar de tao perfeita. Pegou um martelo e bateu no joelho da imagem dizendo: parla! Essa foi a história que uma senhora que trabalha na Accademia em  Firenze me contou. Será isso mesmo? Sei pouquíssimo sobre Michelangelo e fica o convite aberto para aqueles que souberem um pouco mais, confirmarem ou não este "causo".
Depois de ficar com o queixo caído e emocionado diante das barbas de Moisés, prossegui minha visita pela igreja. Tem sempre um anjo no meu caminho.
E aqui as correntes que prenderam o Apóstolo Pedro.
Me despedi de Javier e Rachel e voltei para a Basílica de Santa Marai Maggiore para esperar o próximo Ônibus que me levaria à Bocca della Veritá.
Na viagem de 2010 eu não consegui fazer essa visita e estava mega curioso para ver. A Bocca della Veritá funcionava como um oráculo na Idade Média e também como juiz. Se o culpado estivesse mentindo, poderia ter a mão decepada.  Como vocês podem observar a fila não era pequena. Todos querendo testar. Não pense que tirar a foto colocando a mão dentro da Bocca sairá de graça. Você paga a simbólica contribuição de 0,50 e só pode fazer uma foto. Eu até que consegui uma proeza, fiz 2 fotos, uma sem ninguém e depois pedi para a moça que estava atrás de mim na fila me fotografar.
Bocca: "Jura falar somente a verdade?"
Jorge: "Juro. Roma é a cidade maravilhosa!" Bocca: "Concordo, vá em paz  e divirta-se!"
A Bocca della Veritá fica na entrada da Basílica de Santa Maria in Cosmedin. Após fazer a sua foto você entra e visita a Igreja que é bem simples.

Durante a minha visita à Bocca della Veritá e a à Igreja caiu um temporal que durou uns 15 minutos. Foi o tempo necessário para descansar um pouco. A chuva passou e voltei para o ponto no Circo Massimo para pegar o próximo ônibus. Esse sistema é muito prático, pois a cada 20 minutos passa um ônibus e te deixa em outro ponto. E você pode usar o ônibus o dia inteiro até o último horário. como estava mega cansado do dia anterior, foi excelente.
Retrnei ao Palazzo Barberini para fazer a visita, mas ainda bem que parei para almoçar, pois adivinhem? Chuva, muita chuva em Roma. Eu sequinho dentro do restaurante. Sem fotos. A fome era maior. Mas comi uma massa com molho de tomate, nada demais. E depois da tempestade... a bonanza. A chuva parou, limpou o céu e tudo ficou azul. Esperei mais uns 10 minutos(a tal da paciência de viajar com chuva) e segui para o Palazzo que fica na Via delle Quattro Fontane, 13.
Sobre o Palazzo Barberini um pouco de informação via Wikipedia: "O palácio foi construído entre 1625 e 1633, ampliando na forma do primeiro barroco o edifício precedente, pertencente à família Sforza, o que criou uma estrutura caracterizada por um espectacular átrio em ninfeo, diafragma entre o alpendre de entrada e o jardim desenvolvido nas traseiras. O autor do projecto foi o ancião Carlo Maderno, coadjuvado por Francesco Borromini, sendo a obra terminada por Bernini.
Actualmente, o Palazzo Barberini acolhe parte da importante Galleria Nazionale d'Arte Antica (Galeria Nacional de Arte Antiga)."


Só a entrada com essas esculturas é o máximo e já dá uma ideia do que você vai encontrar lá dentro.

Fachada do Palazzo.

 Uma das entradas

E sempre uma bela escultura. E é tudo que se pode fotografar. E até que eu achei bom. quando você quer fotografar os quadros e tudo o mais, você acaba perdendo a emoção da contemplação, pois está preocupado se a foto ficou boa ou não. O que mais me surpreendeu foi a quantidade de visitantes: ninguém, quando comparamos com a Capela Sistina, por exemplo. Em todas as salas que visitei só uma ou duas pessoas. Nem preciso dizer que adorei. Nada como poder dialogar com as obras, sem a interferência dos diálogos em tom alto ou o empurra-empurra habitual dos grandes museus.
O acervo é maravilhoso, com obras de Andrea del Sarto, Bernini, Caravaggio, El Grecco, Cortonona, Rafaello, só para citar alguns. A cada sala uma nova descoberta. Além das obras, os afrescos de deixar você com torcicolo. Que tarde no Palazzo Barberini! E de tudo que eu vi nessa tarde, destaco dois momentos que me deixaram impressionado, bobo, bouche bée:

 Giuditta e Olorfene - (Caravaggio, 1599)

Quando vi esse quadro eu fiquei imobilizado por alguns segundos, respiração presa. A expressão dos personagens que compõem a cena é impressionante. São tantos detalhes que poderia levar horas para falar. Voltei duas vezes para ver. Acho que não estava acreditando.

(clique na foto para ampliar)

E quando pensei que não iria me surpreender com mais nada, chego no Salone di Pietro da Cortona e vejo umas pessoas deitadas num sofá olhando pra cima. Quando olho me deparo com um dos mais belos afrescos que já vi, depois daqueles da Capela Sistina. Pietro da Cortona, pintor e arquiteto, realizou esta obra intitulada "O triunfo da divina providência" entre 1633 e 1639. Uma verdadeira jóia do Barroco. é uma obra monumental, visto o tamanho do salão. Também me joguei no sofá e fiquei um bom tempo tentando acreditar no que os meus olhos estavam contemplando.
Saí do Palazzo e fui dar uma volta pelo pequeno jardim. O sol fraco era um presente naquela tarde de pura arte.


Terminei a minha visita e saí nas nuvens. E me questionava: Por que um lugar desses estava tão vazio? Será que os turistas que visitam Roma desconhecem a importância desse local? Atenção: Palazzo Barberini é obrigatório!
Subi um pouco a Via delle Quattro Fontane para ver as quatro fontes. Gostei particularmente de duas, mas para fotografar é meio complicado. É uma encruzilhada com carros ido e vindo e o espaço é mínimo. Vale a visita. E o


E voltei ao ônibus para continuar minha vida de turista em tempo integral!


Do alto desses ônibus conseguimos fazer ótimas fotos. Eu fiz várias e eis uma pequena mostra.

Piazza della Repubblica

Palazzo Massimo - próximo a estação Termini. Se não estou enganado aqui fica um museu de esculturas. Não entrei, pois já estava fechado. e nesse dia não poderia ver mais nada. Minha alma estava tomada pelas belezas do Palazzo Barberini e toda Arte Antiga.


Lembram da Igreja de Santa Maria Maggiore. Aqui está a outra fachada que fica na parte de trás. Agora com direito a céu azul. Tudo no mesmo dia. Caprichos da natureza e da primavera romana.

Parada obrigatória para visitar a Chiesa de Santa Maria in Aracoeli. Em 2010 não tive oportunidade de visitar, mas apesar do horário que cheguei ainda estava aberta e é linda.Fica na colina do Campidoglio.

Desci as escadarias e passei pelo monumento que até hoje divide os romanos:


O Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II . Dali do alto você tem uma vista de 360º de Roma. E vai ficar para minha próxima visita.

Consegui pegar o último ônibus, por volta de 19h30 e fiz mais um giro. E só no ônibus conseguiria fazer essa foto da Ponte Sant'Angelo com os belos anjos de Bernini.

E esse final de dia no Vaticano com a cúpula da Basílica de São Pedro ao fundo. Incrível começar o dia com céu cinzento, chuva e terminar assim. É como dizem, a cereja do bolo.
Depois desse périplo todo o que eu queria e precisava era deitar, descansar e dormir. Certo? Errado. Tomei um banho, massageei os pés e fui procurar uma Trattoria para o jantar. E encontrei a Trttoria Da Ugo al Gran Sasso (Via di Ripetta, 32). Jantei uma massa muito gostosa, tomei um vinho e pedi Tiramissu como sobremesa. Que sobremesa! O restaurante é pequeno, mesas próximas e fiquei tímido (logo eu) para fotografar. Ao meu lado  estava um casal alemão.  Quando chegou o Tiramissu o rapaz disse: "Oh it's delicious!" e foi o que bastou para começarmos um papo animado que se prolongou pela noite  e terminou com um convite para um licor e resultou na foto abaixo (sem timidez).


Eu com Anne e Joachim, um casal muito simpático de Sttutgart. Primeira vez que eles visitam Roma e estavam, como todos ficam, maravilhados.


Depois do jantar caminhei tranquilamente sob a lua e o céu estrelado. Na Piazza del Popolo algumas pessoas passeavam.

E agora sim, pernas para o ar!

domingo, 13 de maio de 2012

Roma vazia?

Muitos leitores ficaram admirados por terem visto a Scalinata di Spagna vazia. De fato, algo raríssimo. Esse cartão postal romano vive apinhado de gente. Porém, na manhã do dia 11 de abril estava vazia. Eu quase passei direto, mas como ando a passos lentos observando tudo resolvi fotografar. Em dezembro de 2010, mesmo com muito frio a Scalinata estava sempre cheia, mas tinha um motivo: um presépio lindo. Sinceramente não sei o que aconteceu nesse 11 de abril. Foi muita sorte e pude fazer a foto que todos um dia sonharam. Não só eu, os poucos turistas que passeavam naquele horário também aproveitaram.


Uma outra raridade foi a Fontana di Trevi. Estava caindo uns pinguinhos de chuva, desses que a gente até dispensa o guarda-chuva. Talvez isso não tenha atraído muita gente. No dia 10 quando cheguei o dia estava lindo e se fosse  à Fontana di Trevi encontraria muito mais gente. Existe também uma outra coisa que observei muito nesta viagem: os ônibus com grupos. Parece até que combinavam, pois sempre via de 3 a 4 ônibus estacionados ou "descarregando" os turistas. Quem viaja em excursão sabe como é isso. O ônibus chega ao local e os turistas têm no máximo 20 minutos para fotografarem e dali correm para outro ponto. E é depois desses 20 ou 30 minutos que aquele cartão postal maravilhoso fica vazio. E é nessa hora que faço a foto. Ou seja, paciência e não ficar preocupado com o tempo. No caso da Scalinata nem precisei disso. Revendo essa foto me dei conta de que poderia ter feito outras com a fonte toda, etc. Mas na hora só fiquei admirando as escadarias vazias. Acredito que o único jeito de encontrar a Scalinata  vazia assim na alta temporada é chegar lá por volta de 05h30 da manhã.


Na foto acima vocês podem ver que a quantidade de turistas era bem pequena. E agora revendo a foto é que observei uma barraquinha de camelô vendendo souvenirs e, de quebra, enfeiando o cartão postal.


E aqui o Panteão de Roma no dia da minha chegada. Estava lotado. Talvez por esse ângulo não dê para perceber, mas tinha muita gente na praça e na Igreja. Eu nem entrei.
O mês de abril ainda é o começo da alta temporada - ao menos para o preço dos hotéis -, mas não atrai muita gente. Todavia, Roma sem muitos turistas é impensável.

sábado, 12 de maio de 2012

Via Veneto e suas surpresas

A previsão do tempo para o meu segundo dia em Roma era de chuva. Eu não acreditei, pois com a noite linda do dia anterior isso seria impossível. E claro que a previsão estava certa. Acordei e o dia estava cinza. Antes que as águas rolassem segui para a Fontana di Trevi - assunto do post anterior. Só que no caminho passando pela Piazza Spagna fiz umas fotos e resolvi mostrar também.

Acho esse conjunto de prédios extremamente simples e belo. E complementando o cenário, as belas palmeiras.  Acho que toda vez que voltar à Roma vou fotografar. Não fiz muitas fotos porque já tinha as de 2010. Mas esta praça merece. É um ponto de muito movimento por causa do metrô. Vale a pena observar esse movimento.

E algo raríssimo: a Scalinata di Spagna vazia. Sorte que tinha um grupinho de japoneses -sempre eles - fotografando. Não fossem os japoneses, acho que não teria a quem pedir. Na verdade não sei se eram japoneses ou chineses. Ou seriam coreanos?


Não é difícil se perder em Roma. Saindo da Piazza Spagna avisto essa coluna e duas ruas...para onde seguir? À direita ou à esquerda. Segui pela rua da direita e cheguei até a Fontana di Trevi.
Depois de jogar a moedinha e garantir um retorno à Roma, decidi dar uma volta pela Via Veneto. Antes que as águas caíssem, fazer um passeio por essa rua elegante seria um bom programa para aquela manhã fria.


Acho a Via Veneto um luxo. Os hotéis estrelados, os cafés, as lojas de grife. Tudo ali é um charme. Eu caminhava devagar, as pernas estavam arrasadas da caminhada do dia anterior. Estava com uma sensação de ter jogado 10 partidas de futebol sob sol escaldante.  Fazer um passeio desses sozinho te deixa mais observador.

E foi assim que avistei a pequena Chiesa dell'Immacolata Concezione - Via Veneto, 27 (esta eu anotei até o endereço !). Visitar qualquer igreja em Roma significa ver alguma obra de arte. Atravessei a rua e lá fui eu. Na escadaria do lado esquerdo tinha uma corda que impedia o acesso. Subi pelo outro lado e vi que a porta principal estava fechada. Só tinha uma pequena porta aberta em uma lateral. Estranhei um pouco, pois entrei numa pequena sala, misto de recepção, loja e tinha que pagar 1 euro para visitar.  Geralmente as igrejas em Roma são gratuitas. Já estava lá e não me importei. Eu só não reparei em um detalhe: aquela era a entrada da cripta. E visitar uma cripta aquela hora da manhã era tudo que eu não queria. Lá estão enterrados os frati cappuccini, incusive alguns membros da poderosa família Barberini. O fato é que, por razões que desconheço, não me sinto bem em certas igrejas e evito ao máximo as criptas. Fui entrando e observei a decoração peculiar toda em ossos. Ossos decorando todas as 6 criptas. Até lustres eram feitos com os ossos! Um pequeno grupo visitava a cripta e notei que algumas pessoas não ficaram muito tempo. Ouvia risos nervosos e gente voltando. Eu quis dar uma de durão e continuei até o final. Sala a sala, ou seja, muitos ossos pelo meu caminho.


Fazer fotos é expressamente proibido e eu nem tinha clima para isso. Essa foto é reprodução do postal que comprei na saída. Não sei como consegui ficar observando aqueles esqueletos. Quando me dei conta  que estava completamente sozinho no corredor, justamente na última sala, respirei fundo e caí fora. A sensação era que todos aqueles esqueletos estavam rindo para mim. Assim que saí fui abordado pela senhora que trabalha no local. Imaginem que no meio das minhas moedas havia uma de 1 peso argentino. Acho que estava misturadas às outras de euro que tinha em casa. Ou será que me deram 1 peso argentino de troco e eu não me dei conta? Não contei para vocês ainda, mas nesta viagem precisei dos óculos em tempo integral, principalmente para ler as plaquinhas nos museus e para conferir troco em moedas. Enfim, paguei o euro correto e até esqueci de perguntar porque a igreja estava fechada. Só queria sair dali. E, por dentro, dizia: " da próxima vê se repara bem onde está entrando!".


Saí apressado e continuei meu passeio pela Via Veneto. Tentando tirar da cabeça aquelas imagens. Depois de um tempo eu comecei a rir sozinho na rua e as pessoas me olhando como se eu fosse louco. Eu ria do meu "medo". 

O famoso Café de Paris (ou Dolce Vita)  frequentado pelas celebrities de todos os tempos... e cenário de filmes.

O tempo começou a fechar e interrompi meu passeio. Estava decido a subir a Via Veneto e ir até a Vila Borghese, mas fazer isso sob chuva e cansado não ia dar mesmo. Desci a rua em direção à Piazza Barberini e aí tudo mudou. E esse é o lado bom de não ter um roteiro engessado. Roma é uma cidade aberta. São muitas possibilidades. E esse foi um dos aprendizados dessa viagem. Não criar roteiros, deixar o caminho livre, aberto para descobertas. É permitir que  o acaso dirija sua vida.

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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pagando promessa?


Quando visitei Roma pela primeira vez em 2010 disse que iria voltar. Não sabia quando, mas voltaria. Reza a lenda que  todo visitante que jogar uma moedinha na Fontana di Trevi retorna à cidade. Mesmo não sendo supersticioso, eu cumpri o ritual direitinho. Reveja aqui.


Como pretendo voltar à Roma e jogar mais moedas na Fontana di Trevi não pensei duas vezes. No meu segundo dia na cidade, logo após tomar o café  retornei a um dos mais belos cenários da capital italiana. Saí do Hotel e fui caminhando em direção à Fontana di Trevi. Não levei nem 20 minutos. Este cartão postal de Roma vive cheio de turistas, mas com um pouco de sorte você consegue um lugar só seu para fazer a foto com exclusividade. Moedinha na mão direita e...

... jogada por cima do ombro esquerdo nas águas límpidas da Fontana. É aquela velha história: yo no creo en brujas pero que las hay las hay.

Roma - um novo olhar

Essa viagem não foi muito planejada e talvez por isso tenha dado tão certo.  Eu estava ocupado com os concursos e não podia perder muito tempo. E tive que pensar cuidadosamente sobre o mês que iria viajar. Depois de quebrar a cabeça com os calendários dos concursos e as  provas, escolhi abril e essa escolha me levou a passar mais um aniversário viajando. Como o bilhete foi comprado com as milhas que tinha da Air France e  para não ter que usar mais do que as 80000 milhas exigidas fiquei uns dias a mais em Veneza e Paris. Coisas do destino. Eu ia ficar só 4 noites em Veneza, mas como só tinha lugar disponível no dia 25/04 fiquei mais duas noites, totalizando 6 noites e a minha volta do dia 05/05 só foi possível no dia 08/05. E é assim que funciona. Qualquer alteração que se faça  e o bilhete pode custar algumas milhas a mais e eu só tinha 86000, então me adaptei  e ganhei mais 5 noites extras e, logo, 30 dias de viagem.
O curioso é que comentei num blog que iria ficar 6 noites em Veneza e falaram que era um exagero, que iria ficar entediado. Entediado em Veneza? Nunca!
E nem vou contar o pré-viagem e os pepinos de última hora, como por exemplo, meu amigo que nao pode me acompanhar na parte italiana. Ficou desolado, mas não dava mesmo e tive que remarcar tudo, trocar de hotel etc. Isso tudo a 20 dias da viagem.
Nas duas semanas que antecederam a viagem fiquei grudado na internet pesquisando nos blogs  Tô indo para a Itália, escrito pelo Márcio Jardim com excelentes dicas e o relato da viagem que fez ao país em 2011. Descobri, também, o blog da Simone o Flashes de Viagem quando fazia uma pesquisa no Blog do Ricardo Freire. E minha amiga Adriana Pessoa me passou umas dicas de restaurantes na Toscana. Além disso tudo, completei minhas informações com a Revista Viaje Mais - uma edição especial sobre a Itália.
Essa edição foi um achado. Vi numa banca perto de casa e comprei na hora. E vou guardar, pois fala de todas as regiões e dá dicas muito boas. Um guia muito bom.
Vamos a minha chegada à Roma? Quem acompanha o blog já leu aqui sobre o caos que foi chegar à Roma em 2010. Confesso que estava tenso. Já no Tom Jobim na hora do check-in só recebi um cartão de embarque, e deveria ter recebido dois, um até Paris e outro até o destino final, no caso Roma. O atendente disse que o check-in do voo para Fiumicino estava fechado e isso poderia ter diferentes motivos. Pensei logo nos piores.
Embarquei e cheguei a Paris por volta de 08h15. Saí e fui fazer o check-in do próximo voo nas maquininhas da Air France. Saiu um papel informando que eu deveria me dirigir ao balcão. Gelei... no balcão tudo resolvido, voo no horário. Alívio. Só mais um trauma a vencer: a mala. Ficar sem mala de novo, nem pensar. De Paris até Roma leva umas 2 horas. Estava cansado, quase onze horas de voo até Paris, depois a espera e finalmente 10h15 o avião decolou para Roma.  Do avião fui registrando a minha chegada na Itália.
Sobrevoando a Itália. Montanhas cobertas de gelo
Fiquei impressionado com o tamanho desse lago. Como foi bom ver essas imagens. Era tudo que teria visto em 2010 se não fosse aquela demora de mais de 14 horas...águas passadas.
 
Bem próximo ao Aeroporto de Roma
E graças a Deus estava na Itália. Tempo bom, 23 graus. Fui pegar a mala e como demorou, mas chegou. Saí em direção a estação para pegar o Leonardo Express, trem rápido que leva até a estação Termini. De lá ia decidir se pegava um  táxi ou seguia de metrô. E aí começa a aventura. Fui seguindo as indicações para ir à estação, mas quando vi que estava chegando num estacionamento resolvi voltar, e estava errado, o caminho era aquele mesmo, embora não parecesse. Segui o povo que saiu do elevador e aí vi que estava chegando na Estação. Fila para comprar o bilhete enorme, e olhei para o lado e vi uma lojinha com uma placa "train tickets", saí da fila e fui comprar o bilhete. Estava com 10 Euros no bolso, achei que era o suficiente... que nada! 14 Euros! Achei caríssimo para 35 minutos de viagem. Comprei e saí correndo com as malas, pois o trem já ia sair. Atrás de mim, uma moça falando em inglês que eu deveria entrar logo no trem, pois ela tinha que embarcar. Ignorando totalmente que ela falava inglês, respondi em português: "Você não está vendo que estou com 2 malas pesadas? Aguarde ora!" Essa foi uma técnica que aprendi nessa viagem quando alguém vinha me encher a paciência, respondia em português. Isso funciona. Me acomodei no trem e fui conversando com um casal inglês que visitava a Itália pela primeira vez. O dia estava bem bonito. Quando cheguei na estação Termini eu não peguei o táxi. Para quê? De metrô vai tão rápido e depois o Hotel Centrale ficava tão perto né? E essa foi a maior bobagem que já fiz em todas as minhas viagens. A linha "A" do metrô de Roma  faz você caminhar muito e apesar das escadas rolantes  é muito complicado. E para entrar no trem? Levantar as duas malas de uma vez.  Para alguma coisa serve você fazer musculação...
Em poucos minutos estava na Estação Piazza Spagna e logo estaria no Hotel. Só esqueci de um detalhe: as pedrinhas da rua e as calçadas estreitíssimas da Via del Babuino. As pessoas me olhavam e deviam pensar “que cara maluco, deve ser pão duro ou não tem dinheiro pra táxi...”. Eu seguia meu caminho, entre irritado com a besteira que estava fazendo e orgulhoso de ter guardado aquela região na cabeça quase dois anos depois. Terminada minha Via Crucis cheguei ao Hotel Centrale na Via Laurina, 34. 
A Via Laurina é uma rua tranquila com pequenos restaurantes e lojas. Está a poucos metros da Piazza Spagna e da Piazza del Popolo e fica entre a Via del Babuino e a Via del Corso. Foi por isso que eu pensei que ia ser fácil chegar ao Hotel. De fato, não foi difícil, mas sem malas!!!

 A recepção
 Uma sala para leitura e acesso à internet
 O salão para o café da manhã e ....
...  o meu quarto apertadíssimo. A porta do banheiro quase encostando na cama. Eu fiquei sem ângulo para fotografar. Abaixo o que deu pra fotografar do banheiro: o box e o bidê.

O Hotel Centrale é um hotel pequeno, três estrelas, mas que podia ser  até  2 estrelas e o café da manhã era bem fraco...mas o sinal de internet era muito bom, o staff excelente, recepcionistas simpáticos, um deles falava francês e isso para mim foi ótimo. O quarto  tinha cofre e frigobar.  Ajeitei tudo, tomei um banho e dois minutos depois chegava na...
... Piazza del Popolo com o vai-e-vem de locais e turistas. Logo ali atrás a Vila Borghese. E eu saí sem rumo, sem mapa. Nem parecia que estava horas sem dormir.
E numa esquina tive um encontro muito sério com essas pizzas e não resisti. Projeto férias sem dieta já!!

Alimentado, continuei minha caminhada e cheguei nessa praça tranquila. tinha uma igreja e eu entrei. Ah, por favor, não me cobrem o nome do Santo. Eu estava redescobrindo Roma, vendo tudo com outros olhos. Talvez volte a Roma e não consiga encontrar mais essa praça, naquele labirinto de ruas...
 Uma igreja muito bonita
 Verdadeiras obras de arte. Vejam esse mármore!

E logo depois estava no Pantheon de Roma - agora livre dos andaimes. A Praça estava lotada. é um dos lugares que mais gosto em Roma. Fiquei um bom tempo ali vendo os personagens que passavam.
E prossegui indo para a Piazza Navona. Estava feliz e cheio de energia. Parecia que tinha acabado de acordar.  Que loucura, como andei! Era como se aquele dia fosse o último e eu querendo rever tudo numa única tarde. E ninguém para apertar o "off".

A Igreja Sant'Andrea Della Valle ainda estava aberta e fui rever aquela obra de arte. A beleza da cúpula.
 O altar-mor
E meus olhos não acreditavam que estava revendo tanta beleza numa bela tarde de abril.

Da Igreja eu deveria voltar à Piazza Navona ou para a Praça diante do Pantheon e dali voltar para o Hotel. Que nada, eu saí da Igreja e fui revendo as casas marcadas com a pátina do tempo. E isso é o que há de mais belo em Roma e dali fui caminhando, observando...

Me deixei levar e fui andando pela longa avenida que leva até o Coliseu e cheguei lá, antes parei no Foro de Trajano.
Foi um começo e tanto. E ainda muito mais, pois depois entrei numa rua onde vi um mercado e fui comprar água e aí me dei conta que estava mesmo perdido nas ruas de Roma. Naquele labirinto de ruas vi a noite cair e me diverti comigo mesmo. Sozinho, perguntando como ir até à Piazza Navona e lá cheguei e fui jantar no Piccola Cuccagna que conheci em 2010. Vocês não vão acreditar, mas fiquei tímido para fotografar. Cheguei sozinho e isso já chama atenção. O restaurante é pequeno, mesas muito próximas. Ao meu lado uma família francesa jantava e até batemos um papo, mas não dava para fotografar ali.
Voltei para o Hotel caminhando lentamente. A noite estava bonita e me dei conta depois do quanto havia caminhado. Tomei um banho demorado e fui dormir, parecia que estava sonhando acordado.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Viajar é o que há de melhor para se fazer na vida

Piazza del Popolo - Roma dia 10 de abril de 2012
Viajar é o verbo que mais gosto de conjugar e acho que já falei isso aqui. Seja no presente, no passado, no futuro... viajar é o que há de melhor para se fazer na vida. E mais uma vez viajei para a Europa. Uma viagem como nos velhos tempos, um mês fora de casa. Sem ler jornal, sem ir ao supermercado, sem hora para nada. Um mês dedicado ao prazer e às descobertas.
Viajar é bom, claro, e poderia ser melhor se não tivesse o capítulo das malas. E essa é a parte mais chata desde o início: fazer mala, desfazer, refazer e carregar. E isso tudo pode piorar quando você acha que não tem nada demais chegar ao seu destino, pegar um trem, depois um metrô e andar até o hotel! Com uma malinha vai bem, mas com duas! E essa é apenas uma das minhas aventuras nesse Tour que chamei de Viagem da Alegria de Viver. Foram 30 dias viajando e quatro cidades-bases, divididos assim: 16 dias na Itália, hospedado em Roma, Firenze, Veneza e fazendo passeios por Lucca, Pisa, San Gimignano e Verona.  E depois 14 dias descansando – não fiz muita coisa – em Paris, com uma escapada de um fim de semana para visitar meus queridos amigos Hichem e Virginie e meus amados "sobrinhos" Kaïz e Naël em La Chapelle sur Erdre, vilarejo perto de Nantes.
Eu voltei à Roma e não vi o Papa, mas coloquei a mão na Bocca della Veritá... já a Basílica de São Pedro, mais uma vez, não me conquistou. Será que terei que voltar?. Pode ser. Porém, caí de amores por Lucca; fiquei apaixonado por Florença e se pudesse passava todos os fins de semana da minha vida  em San Gimignano. E Veneza? Não tenho palavras para falar de Veneza. A propósito, não andei de gôndola, mas vivi uma das maiores emoções da minha vida e  que jamais esquecerei; além de ter tido um encontro que até agora me deixa intrigado. Veneza foi a cidade que mais mexeu comigo, em todos os sentidos. E o que dizer de Paris? Talvez a melhor resposta seja o comentário do simpático chofer de táxi que no último dia 08 (terça-feira) me levou ao Aeroporto Charles de Gaulle para minha volta ao Rio, quando soube que  visitava Paris pela oitava vez:  “Huit fois à Paris? Ah monsieur, vous avez fait un abonnement! (Oito vezes em Paris? Ah, o senhor fez uma assinatura!”). E Paris é assim mesmo, você visita uma vez, volta, repete e não para mais. É uma paixão.
Só me resta agradecer a Deus por ter me dado mais essa oportunidade. Estar saudável para poder caminhar, correr e viver essa experiência única.
Apertem os cintos e preparem-se: vamos fazer uma linda viagem.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

No Topo da Tour Eiffel

Tour Eiffel vista do Rio Sena durante um passeio de barco

Tem como uma cidade como Paris ficar mais bonita do que já é? Sim, quando podemos contemplá-la do alto. Desde a minha primeira viagem, tive a oportunidade de contemplar a cidade de diversos ângulos. Do terraço da saudosa Samaritaine (loja de departamentos que fechou há mais ou menos 7 anos), passando pela Torre da Catedral de Notre Dame, o Arco do Triunfo e a feiosa Tour Montparnasse. Paris vista do alto é sempre um espetáculo!
Recentemente, no Facebook, uma colega publicou uma foto feita do alto da Tour Eiffel. Assim que vi, lembrei que tinha esta, porém feita a partir de um ponto mais alto.
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Clique na foto para ampliar

Subir a Tour Eiffel era um dos programas que eu sempre evitava nas minhas passagens por Paris. O que me afastava era a fila - sempre imensa. Mas, finalmente, em setembro de 2006, após avistar a Torre num passeio de barco pelo Sena (primeira foto do post), decidi que iria subir. E lá fui eu para a fila. E não fiquei mais do que 10 minutos. Perfeito.


Confesso que "amarelei" quando o elevador que leva ao topo fechou a porta e comecei a ver tudo pequeninho...gelei! E em segundos já havia esquecido tudo...com esse visual o medo vai embora!

 
 

Conheço algumas pessoas que vão à Paris e nunca sobem a Tour Eiffel, seja pela fila, por medo de altura ou sei la o quê. Só tenho a dizer que é um passeio bacana e imperdível. É sempre cheio? É. E sempre será, pois Paris é a cidade mais visitada do planeta. Então é relaxar e ficar na fila ou agendar a sua visita aqui. Posso dizer que tive um pouco de sorte, pois apesar de cheio, como sempre, não estava lotado. Talvez tenha sido o horário, cheguei por volta de 18 horas, mas com o horário de verão a noite só chega perto das 21hs.


E ainda tive direito a este belo pôr do sol  ...


E terminei a visita com a Tour Eiffel iluminando a Cidade Luz.

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