Confesso que deixei a Toscana com o coração apertado. Meu desejo era ficar um pouco mais, até porque segundo alguns comentários, seis noites em Veneza era too much. E quando você não conhece, nem tem ideia da cidade que vai visitar, acha que fez mesmo uma burrada. Pensava: "Agora, paciência, vou passar seis noites, não dá para mudar."
Cheguei na estação em cima da hora, pois o táxi atrasou um pouco. Saí do carro e voei com as minhas malas para pegar o trem. Os trens de alta velocidade não atrasam. O trem não estava cheio e aí fiquei bem à vontade, como vocês podem ver na foto. Comprei a minha passagem de Firenze para Veneza quase um Mês antes de viajar e tive um bom desconto: de 43 Euros o bilhete saiu por 29 Euros! Fica a dica: comprar com antecedência sempre.
À medida que o trem foi se aproximando de Veneza eu vivia um conflito de emoções: feliz por chegar e um pouco triste com o tempo nublado e chuvoso. Veneza com chuva, ah meu Deus... e a previsão não era das melhores. E pontualmente às 15h33, desembarquei na Estação Santa Lucia. Nem podia acreditar. Saí da estação e caminhei uns 5 minutos até o Hotel.
Nem acreditei quando cheguei, uma pequena caminhada e pronto. Enquanto muitos turistas tiveram que pegar o Vaporeto (um catamarã), eu chegava a pé e sem precisar subir as pontes. E essa foi uma boa escolha, ficar perto da Estação de Trem. O Hotel Guerrini é bem simples, 2 estrelas, mas confortável, com bom café da manhã (melhor que o do Hotel 3 estrelas de Roma), staff atencioso e simpático.
Diferentemente do Hotel de Firenze, o quarto single do Hotel Guerrini era mínimo. Assim que entrei e vi a cama de solteiro, exclamei: é o quarto Van Gogh! Muito pequeno, mas jeitosinho e limpinho. Equipado com telefone, tv a cabo e internet wifi com excelente sinal.
Um detalhe importante: o Hotel Guerrini não possui elevador. Por sorte fiquei no 1º andar e meio (isso mesmo). Ajeitei as roupas no armário e saí para conhecer o terreno. Será que Veneza iria me surpreender? A Toscana ainda estava nos meus pensamentos.O recepcionista me deu um mapa e disse que até a Piazza San Marco eu levaria uns 35 minutos a pé. Fiquei com o mapa só para ter o endereço do hotel, mas sabia que iria me perder nas ruas estreitas. E bastaram alguns minutos para que meu coração começasse a se apaixonar por Veneza. Que cidade! Não há nada igual. É diferente de tudo o que já vi na vida. Não existem carros, nem estradas, nem bicicletas. Só Vaporetos, pequenos barcos e gôndolas.
O tempo estava carregado, mas não me intimidou. Em qualquer instante iria começar a chover. Que luxo andar sob a chuva em Veneza, pensei.
E logo avistei uma família passeando de gôndola pelos canais. E essa cena iria se repetir muitas vezes.
Já tinha perdido a noção do tempo. Não sabia se estava caminhando há 20 ou 30 minutos, parava a todo instante para observar o casario e as pequenas praças. E achei uma vantagem ter escolhido o Hotel Guerrini. Estava descobrindo uma Veneza menos turística, porém interessante.
E finalmente, após descer e subir pontes fui me aproximando da Piazza San Marco e estava no centro turístico da cidade. E aqui estão os cafés, os bares, restaurantes e as lojas de grife.
E quando cheguei a chuva chegou junto. A Praça vazia permitiu uma boa perspectiva da Basílica de San Marco.
Um outro ângulo da Piazza San Marco.
Enquanto a chuva caía firme, fiquei observando algumas lojas e galerias da Piazza San Marco. Entrei em uma das galerias e conheci Rachele. E aí fiquei sabendo que fazia 4 meses que não caía uma gota de água em Veneza. Todos estavam felizes por isso. Mas, eu já estava acostumado com a chuva também, como já disse aqui, aprendi a conviver com ela. A chuva parou e continuei o meu passeio.
Um "estacionamento" de gôndolas.
Atravessei toda a Piazza San Marco e pensei em retornar ao Hotel. O tempo não estava muito firme, a chuva podia voltar a qualquer momento. Mas preferia continuar caminhando afinal, tudo era novidade e a minha curiosidade era maior. Com a temperatura baixando e depois de andar muito, precisava urgentemente achar um banheiro e avistei no chão a plaquinha abaixo.
Que alívio, era só seguir a seta.
E a caminhada ia revelando lugares bem interessantes.
Até que entrei nessa ruela, segui até o final e achei o banheiro. Fechado. Já era 19 hs.
E entrei em outra ruela e não encontrava mais o caminho anterior. Estava perdido. E isso é o melhor de Veneza. Perder-se.
Não tinha a menor noção de onde estava e precisava achar um banheiro com urgência. Até que encontrei um bar. Informei que ia consumir alguma coisa, mas precisava antes usar o toilette. Equacionado o problema, hora de brindar.
E pedi ao Barman o drink local, o Spritz. Este drink é a cara da região, o Vêneto. Leva vinho branco, aperol ou campari e soda (ou água com muito gás). Pedi o meu com Aperol.
Feliz por estar em Veneza! Terminei meu drink e perguntei como faria para retornar à Piazza San Marco e aí vi como estava longe.
O dia ainda estava claro, apesar de já passar das 20hs e ainda consegui fazer essa foto na Ponte Rialto. Saí de Rialto e fui seguindo as indicações para chegar à Ferrovia. Era minha referência, pois o Hotel estava próximo à Estação. Em algum momento me distraí e, mais uma vez, estava perdido no emaranhado de ruelas. Mas, como nem tudo estava perdido, fui salvo por uma estudante argentina que me indicou o caminho. O mais engraçado é que eu cheguei na Ferrovia, mas estava do lado oposto ao do Hotel. Só aí me dei conta da volta que havia dado. Atravessei a ponte e fui procurar um lugar para jantar.
Encontrei um simpático Ristorante chamado Bella Venezia, onde comi um saboroso spaghetti com lula, acompanhado de uma taça de vinho. Meus pés estavam doloridos, mas a alegria era muito maior. Em poucas horas já estava completamente seduzido pela cidade. Mal podia esperar o dia seguinte para começar oficialmente as visitas. Terminei o jantar e quando saí do restaurante, supresa:
Água, muita água nas ruas de Veneza. Cheguei em plena temporada da alta, quando as águas dos canais sobem e alagam as ruas. O jeito é andar nessas passarelas, montadas exclusivamente para os pedestres não molharem os pés. Definitivamente, estava apaixonado por Veneza!