sexta-feira, 8 de junho de 2012

Veneza, la Serenissima

Confesso que deixei a Toscana com o coração apertado. Meu desejo era ficar um pouco mais, até porque segundo alguns comentários, seis noites em Veneza era too much. E quando você não conhece, nem tem ideia da cidade que vai visitar, acha que fez mesmo uma burrada. Pensava: "Agora, paciência, vou passar seis noites, não dá para mudar."

Cheguei na estação em cima da hora, pois o táxi atrasou um pouco. Saí do carro e voei com as minhas malas para pegar o trem. Os trens de alta velocidade não atrasam. O trem não estava cheio e aí fiquei bem à vontade, como vocês podem ver na foto. Comprei a minha passagem de Firenze para Veneza quase um Mês antes de viajar e tive um bom desconto:  de 43 Euros o bilhete saiu por 29 Euros! Fica a dica: comprar com antecedência sempre.

À medida que o trem foi se aproximando de Veneza eu vivia um conflito de emoções: feliz por chegar e um pouco triste com o tempo nublado e chuvoso. Veneza com chuva, ah meu Deus... e a previsão não era das melhores. E pontualmente às 15h33, desembarquei na Estação Santa Lucia. Nem podia acreditar. Saí da estação e caminhei uns 5 minutos até o Hotel. 

Nem acreditei quando cheguei, uma pequena caminhada e pronto. Enquanto muitos turistas tiveram que pegar o Vaporeto (um catamarã), eu chegava a pé e sem precisar subir as pontes. E essa foi uma boa escolha, ficar perto da Estação de Trem. O Hotel Guerrini é bem simples, 2 estrelas, mas confortável, com bom café da manhã (melhor que o do Hotel 3 estrelas de Roma), staff atencioso e simpático.
Diferentemente do Hotel de Firenze, o quarto single do Hotel Guerrini era mínimo. Assim que entrei e vi a cama de solteiro, exclamei: é o quarto Van Gogh! Muito pequeno, mas jeitosinho e limpinho. Equipado com telefone, tv a cabo e internet wifi com excelente sinal.
Um detalhe importante: o Hotel Guerrini não possui elevador. Por sorte fiquei no 1º andar e meio (isso mesmo). Ajeitei as roupas no armário e saí para conhecer o terreno. Será que Veneza iria me surpreender? A Toscana ainda estava nos meus pensamentos.

O recepcionista me deu um mapa e disse que até a Piazza San Marco eu levaria uns 35 minutos a pé. Fiquei com o mapa só para ter o endereço do hotel, mas sabia que iria me perder nas ruas estreitas. E bastaram alguns minutos para que meu coração começasse a se apaixonar por Veneza. Que cidade! Não há nada igual. É diferente de tudo o que já vi na vida. Não existem carros, nem estradas, nem bicicletas. Só Vaporetos, pequenos barcos e gôndolas.

O tempo estava carregado, mas não me intimidou. Em qualquer instante iria começar a chover. Que luxo andar sob a chuva em Veneza, pensei.

E logo avistei uma família passeando de gôndola pelos canais. E essa cena iria se repetir muitas vezes.

Já tinha perdido a noção do tempo. Não sabia se estava caminhando há 20 ou 30 minutos, parava a todo instante para observar o casario e as pequenas praças. E achei uma vantagem ter escolhido o Hotel Guerrini. Estava descobrindo uma Veneza menos turística, porém interessante.

E finalmente, após descer e subir pontes fui me aproximando da Piazza San Marco e estava no centro turístico da cidade. E aqui estão os cafés, os bares, restaurantes e as lojas de grife.

E quando cheguei a chuva chegou junto. A Praça vazia permitiu uma boa perspectiva da Basílica de San Marco.
 Um outro ângulo da Piazza San Marco. 

 
Enquanto a chuva caía firme, fiquei observando algumas lojas e galerias da Piazza San Marco. Entrei em uma das galerias e conheci Rachele. E aí fiquei sabendo que fazia 4 meses que não caía uma gota de água em Veneza. Todos estavam felizes por isso. Mas, eu já estava acostumado com a chuva também, como já disse aqui, aprendi a conviver com ela. A chuva parou e continuei o meu passeio.

 Um "estacionamento" de gôndolas.

Atravessei toda a Piazza San Marco e pensei em retornar ao Hotel. O tempo não estava muito firme, a chuva podia voltar a qualquer momento. Mas preferia continuar caminhando afinal, tudo era novidade e a minha curiosidade era maior. Com a temperatura baixando e depois de andar muito, precisava urgentemente achar um banheiro e avistei no chão a plaquinha abaixo. 


Que alívio, era só seguir  a seta.


 E a caminhada ia revelando lugares bem interessantes.

Até que entrei nessa ruela, segui até o final e achei o banheiro. Fechado. Já era 19 hs.
E entrei em outra ruela e não encontrava mais o caminho anterior. Estava perdido. E isso é o melhor de Veneza. Perder-se.

Não tinha a menor noção de onde estava e precisava achar um banheiro com urgência. Até que encontrei um bar. Informei que ia consumir alguma coisa, mas precisava antes  usar o toilette. Equacionado o problema, hora de brindar.

E pedi ao Barman o drink local, o Spritz. Este drink é a cara da região, o Vêneto. Leva vinho branco, aperol    ou campari e soda (ou água com muito gás). Pedi o meu com Aperol.

Feliz por estar em Veneza! Terminei meu drink e perguntei como faria para retornar à Piazza San Marco e aí vi como estava longe.

O dia ainda estava claro, apesar de já passar das 20hs e ainda consegui fazer essa foto na Ponte Rialto. Saí de Rialto e fui seguindo as indicações para chegar à Ferrovia. Era minha referência, pois o Hotel estava próximo à Estação. Em algum momento me distraí e, mais uma vez, estava perdido no emaranhado de ruelas. Mas, como nem tudo estava perdido, fui salvo por uma estudante argentina que me indicou o caminho. O mais engraçado é que eu cheguei na Ferrovia, mas estava do lado oposto ao do Hotel. Só aí me dei conta da volta que havia dado. Atravessei a ponte e fui procurar um lugar para jantar.

Encontrei um simpático Ristorante chamado Bella Venezia, onde comi um saboroso spaghetti com lula, acompanhado de uma taça de vinho. Meus pés estavam doloridos, mas a alegria era muito maior. Em poucas horas já estava completamente seduzido pela cidade. Mal podia esperar o dia seguinte para começar oficialmente as visitas. Terminei o jantar e quando saí do restaurante, supresa:


Água, muita água nas ruas de Veneza. Cheguei em plena temporada da alta, quando as águas dos canais sobem e alagam as ruas. O jeito é andar nessas passarelas, montadas exclusivamente para os pedestres não molharem os pés. Definitivamente, estava apaixonado por Veneza!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ciao Toscana

E chegou o momento de partir. Último dia na Toscana. Coração apertado, vontade de ficar mais um pouco para ficar fazendo nada em Firenze, apenas andar, admirar, comer...

Como não havia jeito, acordei cedo e tomei o meu melhor café da manhã. E saí para passear por Firenze e rever a cidade que respira arte. Uma das melhores coisas de ficar no Relais Uffizi era sair e encontrar a Piazza della Signoria e ver o Palazzo Vecchio (acima) e as belas esculturas.

Segui em direção ao Arno e vi essa cena raríssima: ninguém na Galeria Degli Uffizi.

Nuvens carregadas em tom cinza chumbo davam um outro colorido à paisagem.

Retornei à Piazzale Michelangelo e subi essa longa escadaria ladeada de árvores e com uma vista incrível.
E a parada obrigatória no Giardino delle Rose, onde as esculturas de Jean Michel Folon acrescentam mais charme ao lugar.

A cópia do  David em bronze passa os dias contemplando a vista da bela Firenze.

 Nada mal hein David?


 E como se não bastasse a vista, ainda colocaram essas tulipas no caminho.

Essa parte alta da cidade nos leva a caminhos tão bonitos que a vontade é de seguir por essa estrada, sem parar. Teria feito isso, se não fosse os tantos passeios que fiz para outras cidades. Mas, outras oportunidades virão.

E contemplando a paisagem cheia de ciprestes retornei ao Hotel para fechar a conta e  deixar as malas na recepção. O trem para Veneza estava marcado para 13h25. E só me restavam poucas horas para almoçar e ir para a Estação.
O almoço? Trattoria Ponte Vecchio, para provar a Lasagna.

Aparentemente simples, mas muito gostosa. A massa fresca desmanchava na boca. Que sabor!

Eu retornei ao restaurante porque fui muito bem atendido pelos proprietários, Gian Carlo (comigo na foto abaixo) e Salvatore, sempre muito gentis. E claro, a qualidade da comida, excelente.


E assim me despedi de Firenze.  Uma cidade que me conquistou pela sua beleza, sua arte e seu povo hospitaleiro.

E essa é a imagem que eu vou guardar paa sempre na minha memória, a vista espetacular do Centro Histórico a partir da Piazzale Michelangelo. Até Breve, Firenze!

E agora vamos viver as emoções da Sereníssima!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Siena, um retorno à Idade Média

Mais um dia na Toscana e o que fazer? A visita à San Gimignano havia superado todas as expectativas, mas fiquei com a sensação de um-dia-só-é-pouco. Por conta disso, não estava muito certo de visitar Siena. Iria dedicar o dia à Firenze e até saí para visitar o Duomo. Mas, enquanto visitava a Igreja, fiquei pensando que deveria ir até Siena, nem que fosse apenas para ver a Piazza Il Campo. Embora o tempo não estivesse muito firme, resolvi partir. E fiz a viagem de ônibus, com a vista espetacular dos campos. 

Saí de Firenze por volta de 11h30. A viagem dura 1h30 mais ou menos. Vale a pena ir de ônibus, a estrada é boa e a vista é uma outra viagem.


Siena é uma cidade mágica e passear pelas suas ruas é um retorno à Idade Média. Eu fiquei tao impressionado que só depois de algum tempo lembrei que tinha uma câmera para fotografar. Pelo horário que cheguei eu não teria muito tempo e aí veio aquele arrependimento de não ter saído cedo, todavia estava lá e aproveitaria o que fosse possível.

E avistei essa imponente construção: o Palazzo Publico com a Torre del Mangia, que pode ser visitada. Mas, preferi dessa vez, ficar em terra firme.

A Piazza Il Campo é uma das maiores praças medievais da Europa. é um conjunto arquitetônico belíssimo. Nessa Praça, durante o verão, entre julho e agosto, acontece o Palio -  uma tradicional corrida de cavalos. 
Não consigo dizer exatamente o que senti caminhando pela Praça e observando os prédios. Olhava para os lados e via cavaleiros com armaduras, montados em cavalos brancos. Comecei a pirar naquela viagem...e não tinha bebido nada. Siena é uma viagem.

 Fontana Gaia


 Detalhe de uma das esculturas da Fontana Gaia.
Como já estava um pouco tarde, decidi não almoçar. Lembrei de uma dica da minha amiga Adriana Pessoa e fui ao  Consorzio Agrario Siena. E esta dica vale ouro. O Consorzio Agrario é uma cooperativa de produtores locais, com ótimos preços e tudo é muito bom: vinhos, queijos, presuntos, salames, biscoitos, chás, etc.
 Fiz umas comprinhas e voltei para a Piazza Il Campo. E virei atração turística por conta dessa garrafa de Chianti. Chegaram a perguntar se eu ia beber a garrafa toda.

Ia comprar frios para sanduíche, mas não resisti quando vi as pizzas. Muito saboroso. De sobremesa umas frutinhas cristalizadas que comprei no mercado. Mas, uma vez na Itália, não ia deixar de tomar um gelato.

E o escolhido dessa vez foi GROM. Já tinha ouvido falar, pois GROM tem lojas em Paris, mas eu não conhecia ainda. GROM é uma Gelateria de altíssima qualidade, artesanal, que iniciou suas atividades em 2003 e  faz o maior sucesso. Já tem lojas em Paris, New York e Tokyo. Eu fotografei a atendente e disse que ela ficaria conhecida mundialmente aqui no Blog... rs Essa moça foi muito gentil e me deixou provar todos os sabores até a minha escolha final.

Caramello al sale com Cioccolato fondente. Essa combinação foi perfeita. Que delícia! Os italianos são mesmo os Mestres do Gelato. Não tem para ninguém. E a minha parada valeu a pena, pois a nossa amiga chuva chegou poderosa em Siena.
A chuva não parava e eu não ia ficar lá na GROM me acabando no sorvete, saí sob a chuva e cheguei até o Duomo, belíssimo. Mas não visitei. Nesse passeio preferi absorver a alma da cidade.
E retornei à Piazza Il Campo e me sentei no Ristorante Al Mangia para tomar uma Cioccolata Calda (Chocolate quente) e mega cremoso. Além da chuva a temperatura baixou um pouco.
Porém, essa parada foi perfeita, pois aproveitei para atualizar meu diário de viagem e descansar um pouco. Siena é cheia de subidas e descidas. E enfim, a chuva parou definitivamente. E aí pude voltar a andar um pouco mais pela cidade.

 Parece que o mundo não anda muito satisfeito com os chineses...
Cena rara, a Piazza Il Campo vazia...
E na hora de ir embora eu me perdi pelas ruas de Siena. E ficar perdido em Siena é uma das melhores coisas que existe.
O céu até ensaiou ficar mais claro. Fui andando e contemplando imagens de tirar o fôlego, pela simplicidade e beleza. Os cavaleiros agora passavam com belas damas...
Siena merece ser visitada. É um desses lugares que faz você viajar. Ficar ao menos uma noite hospedado na cidade deve ser uma boa experiência. Não é o mesmo ritmo de San Gimignano, mas seduz igualmente. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Como não amar a Toscana?

O ônibus para Poggibonsi não demorou muito a chegar e 15 minutos depois já estava na Estação. Olhei no painel e vi que o trem com destino à Firenze só sairia às  18h40 e  o ônibus às 18h15. Claro que fui de ônibus e com o dia ainda claro, devido ao horário de verão, pude apreciar a bela paisagem. No Mp3 ouvia os versos da Divina Comédia recitados pelo Giovani e também um solo de harpa que consegui gravar quando um músico fazia sua apresentação. Não bastassem todas as emoções vividas em San Gimignano, ainda fui contemplado com um pôr do sol cinematográfico quando retornei para Firenze.

Quando cheguei em Firenze caminhei até o Rio Arno, eram quase 20hs e o sol fazia um pequeno espetáculo, dourando os prédios e o rio com seus últimos raios.

Ter um dia maravilhoso em San Gimignano e ainda contemplar essas imagens foi, como dizem os franceses, "a cereja do bolo". As imagens traduzem tudo o que eu senti.

E aos poucos a noite foi caindo sobre Firenze. Retornei ao Hotel, havia combinado de jantar com o Érico para que ele contasse sobre a visita à Siena. Desde a minha chegada estava com muita vontade de comer a famosa Bisteca Fiorentina. E assim que encontrei o Érico sugeri que fôssemos à Trattoria Ponte Vecchio para experimentar o prato.

Eis a Bisteca! Saborosíssima! Na chapa quente ela doura por três minutos de cada lado. Eu pedi ao Gian Carlo - um dos proprietários do restaurante - que deixasse ao menos 5 minutos, para não vir sangrando muito. E fomos atendidos. Era muito carne 1kg!
Érico disse que gostou muito de Siena e que valia a visita. Eu estava com muitas dúvidas. Fazer mais um passeio ou conhecer um pouco mais de Firenze? E esse foi um dos assuntos do nosso jantar, entre outras tantas prosas.  Quando o Gian Carlo fez a foto, teve o maior cuidado para destacar esse quadro de Leonardo da Vinci - Dama con Ermelino. É uma cópia, evidentemente. Gian Carlo, falou sobre o quadro e do talento de Leonardo da Vinci para retratar as mãos, o que  considerava o mais difícil para trabalhar. Enfim, um dia daqueles! Tem como não amar a Toscana? 

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